A tão temida fratura por estresse

fratura por estresse mulher na academia - rep hospital albert einstein

Imagem: Reprodução / Hospital Albert Einstein

Uma das lesões mais comuns entre os corredores, a fratura por estresse atinge principalmente as mulheres. Com a crescente participação feminina na corrida, os benefícios da atividade física para a saúde da mulher – como o controle e a manutenção do peso corporal, a melhora do sistema cardiovascular e a prevenção de doenças (sem falar na redução do estresse e na melhora da autoestima) ganharam destaque. No entanto, os treinos sem orientação especializada, excessivos ou com intervalos insuficientes de recuperação, entre outros fatores, fazem aumentar o número de lesões e problemas de saúde entre as corredoras.

Responsável por 10% das fraturas esportivas e podendo chegar a até 25% entre corredores, segundo dados da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte, a fratura por estresse é uma microscópica fissura no osso causada pela sobrecarga e esgotamento muscular. Ao atingirem a fadiga, os músculos reduzem a absorção do impacto e transferem toda a carga para o osso, o que pode resultar, com o tempo, em uma microfissura.

fratura por estresse raio x - rep fefisa

Imagem: Reprodução / Fefisa

Apesar de homens e mulheres possuírem a mesma probabilidade de ter a lesão, estudos indicam que a incidência da fratura por estresse pode ser maior nas mulheres, já que fatores hormonais e nutricionais, condições intrínsecas ao corpo feminino, quando desregulados, favorecem o aparecimento da fissura. Entre as responsáveis pelo aparecimento do problema está a Tríade da Mulher Atleta (TMA), que se caracteriza pela desordem alimentar, interrupção do ciclo menstrual e perda de massa óssea. Entre as possíveis causas da TMA estão o excesso de treinamento, baixa taxa de gordura corporal (especialmente a localizada nos quadris, pernas e nádegas) e dieta inadequada. Esses fatores levam a mulher a alterações hormonais que desregulam o ciclo, fazendo com que a absorção de cálcio pelo organismo seja prejudicada e, consequentemente, ocorra a perda óssea. Além de aumentar as chances de uma fratura por estresse, a corredora pode  desenvolver osteoporose precoce caso a síndrome não seja tratada, pois nem toda a densidade óssea perdida será restaurada. Por isso, muita atenção!

fratura por estresse mulher - rep atletas da madrugada

Imagem: Reprodução / Atletas da Madrugada

 A tíbia (osso da canela) é a que mais sofre com a fratura por estresse entre os corredores. Os ossos dos pés e o fêmur são outros com alto índice de desenvolvimento do problema. Entre as mulheres, o colo do fêmur também pode ser afetado, principalmente nas atletas com o índice de massa corporal (IMC) baixo. Para prevenir o problema, o uso de um tênis com bom sistema de amortecimento e feito para o seu tipo de pisada, aliados ao trabalho de fortalecimento, são medidas fundamentais. Incluir exercícios pliométricos e treinos funcionais na planilha também são boas pedidas. O aumento gradativo da distância, intensidade e velocidade na corrida também ajudam a garantir a saúde óssea, pois, quanto mais fadigado o músculo, menos amortecimento ele proporcionará.

Vamos nos cuidar, e bora praticar saúde!

Prof. Pedro Paulo Duarte Souza
Especialista em Treinamento Esportivo pela UFMG
CREF 008002-G/MG, Tel:  (32) 9982-9309
personal.pedro.paulo@gmail.com
* Imagem de capa: Reprodução / O2 Por Minuto
*** Referência: Revista O2 Por Minuto – edição Abril/ Maio de 2015

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