Academias seguem fechadas em JF; medida restritiva é apoiada por empresários

*Reportagem: Priscila Oliveira

Apesar de decreto presidencial, lançado em edição extra do Diário Oficial da União, na última segunda-feira, 11, incluindo as academias de esportes na lista de “serviços essenciais” durante a pandemia do novo coronavírus, esse tipo de estabelecimento deve permanecer fechado em Juiz de Fora. A autonomia na restrição é amparada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que faculta aos estados e municípios o poder de estabelecer políticas de saúde, inclusive questões de quarentena e classificação dos serviços essenciais.

Nesse sentido, uma primeira determinação do Poder Executivo local, editada em 18 de março, já estabelecia a suspensão das atividades, o que permanece inalterado. A assessoria de comunicação da Prefeitura esclarece que “no Decreto Municipal, cuja última edição é de 17 de abril, sob o número 13.929, academias não são consideradas exercícios essenciais. Por isso, seu funcionamento não está permitido. Caso haja abertura indevida, o estabelecimento é notificado. Se descumprir a notificação, é multado. Já se descumprir mais uma vez, é interditado cautelarmente”.

Dia 18 completa dois meses que essa atividade está suspensa no município (Foto: Priscila Oliveira/Rumo Certo)

Minas Consciente

Pelas redes sociais, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reforça que “a decisão de reabertura desses estabelecimentos é de cada prefeito, que deve analisar o cenário de saúde na cidade, como já decidiu o STF”. Portanto, “o decreto federal não altera a autonomia de gestão dos municípios”. Na publicação, ele destaca o programa Minas Consciente, que estabelece protocolos sanitários para flexibilização do isolamento social e reabertura da economia no Estado “a partir do monitoramento da situação pandêmica e da capacidade assistencial” de cada município, que pode ou não aderir à proposta.

Até o fechamento dessa matéria, no início da noite desta sexta-feira, 15, Juiz de Fora contabiliza 418 pessoas infectadas, 23 óbitos, 3.435 casos suspeitos e duas mortes em investigação por Covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico atualizado pela Prefeitura. A cidade integra a chamada “onda verde” do projeto estadual, onde é permitindo apenas o funcionamento de atividades consideradas essenciais, como farmácias e drogarias, hipermercados, supermercados, bancos e lotéricas, mercearias, açougues, lojas de produtos para animais, padarias, lanchonetes, clínicas de saúde e veterinárias, postos de gasolina, distribuidoras de gás de cozinha, funerárias, entre outros.

Saúde em primeiro lugar

Dono da Academia Espaço Saúde, no bairro Bom Jardim, o educador físico Michel Alves concorda com a permanência das restrições. “Suspendemos nossas atividades antes mesmo do decreto municipal. Vimos que a situação estava se agravando e resolvemos nos antecipar, pensando principalmente na saúde dos nossos alunos”, pondera.

Responsáveis por academia e studio personal, educadores físicos Michel Alves e Luiz Henrique Fernandes defendem a integridade dos alunos (Fotos: Hugo Keyler/arq. Rumo Certo / arq. pessoal)

Mesmo diante da incerteza que o momento impõe, ele tem procurado alternativas para minimizar danos financeiros. “Estamos oferecendo planilhas de treino, emprestando materiais e alugando equipamentos. Sinceramente, se fala no pico em Minas para junho. Acho que, mesmo tomando todas as precauções necessárias, não teríamos tanta adesão dos alunos. Necessitamos muito da volta ao trabalho, mas devemos escutar os órgãos relacionados à saúde”.

Com ampla vivência em academias e proprietário do studio personal que leva seu nome, sediada no São Pedro, o treinador Luiz Henrique Fernandes concorda com o não relaxamento das determinações. “Acho essa ideia de reabertura precipitada. Não é momento para isso. O ambiente de academia é muito difícil de ser controlado, em relação à limpeza, à higienização. E o distanciamento é quase impossível. Nos primeiros dias até poderia haver algum mutirão nesse sentido, mas passaria a ser relaxado com o tempo”, enfatiza. “Vou permanecer com o studio fechado até a gente ter os níveis de segurança adequados. Mesmo que liberem a abertura, não pretendo fazer isso logo em seguida. Vou esperar, restringindo ainda mais meus atendimentos, que já eram muito personalizados”.

Para ele, o desafio da quarentena tem aberto novas possibilidades. “Fechei o studio espontaneamente logo no início, no segundo ou terceiro dia após o anúncio da pandemia. Normalmente, eu trabalhava com quatro alunos por horário e agora tenho atendido um de cada vez, por vídeo-chamada. Houve uma redução natural, mas estou trabalhando praticamente o dia inteiro. Além disso, faço três ‘lives’ de treinos por semana – toda terça, quinta e sábado, junto com um amigo que também tem um studio. Está fluindo; o pessoal tem gostado”.

Secretaria de Saúde

O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, classifica as academias de esportes dentro da “onda vermelha” do Minas Consciente, do qual Juiz de Fora faz parte, sendo uma atividade econômica de alto risco, por envolver grande aglomeração de pessoas e, consequentemente, favorecer a possibilidade de contágio pela doença. Assim, ressalta que esse serviço só poderá ser retomado quando a pandemia estiver controlada.

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