Corrida x Álcool

álcool x corrida - rep blog corre mulherada

Imagem: Reprodução / blog Corre Mulherada

O dilema entre a relação do álcool e o desempenho na corrida é antigo. Tem os que defendem que tomar uma cerveja com os amigos de vez em quando não faz diferença na performance, assim como tem os que abominam a prática. É sabido que o álcool sobrecarrega o funcionamento hepático, deixando mais lento o processo de geração de energia, aumentando a fadiga muscular e diminuindo o tempo de resistência para as sessões de treino. Além disso, seu consumo exige do organismo um aumento na produção de antioxidantes para limpar as toxinas geradas pela bebida, o que pode acelerar o processo de envelhecimento celular.

O álcool é maléfico aos praticantes da corrida porque funciona como um relaxante muscular de ação central. Assim, ele pode provocar uma perda de força durante dias. Além disso, sua absorção produz aldeído, que é extremamente tóxico para o tecido neurológico, diminuindo o limiar de esforço, ou seja, ele deixa o corredor mais propenso à fadiga.

Não podemos esquecer que bebidas alcoólicas aumentam o nível de insulina no sangue, causando, por exemplo, ganho de peso e ansiedade. Existe a crença de que a bebida destilada é menos prejudicial à saúde, contudo, não se engane! Ela também é uma grande vilã para quem pratica atividade física. Os destilados possuem uma grande concentração de álcool. A cerveja fermentada também tem uma grande quantidade de álcool, além de carboidrato.

Quando ingerimos uma quantidade moderada, algo em torno de 3 latas de cerveja ou 3 a 4 taças de vinho ou 3 doses de wisky, o álcool será absorvido no sistema digestivo e cairá em nossa corrente sanguínea a fim de ser metabolizado e, finalmente, excretado. Esse processo de metabolização do álcool também representa um estresse fisiológico ao organismo e interfere diretamente nas nossas condições físicas durante um simples treino de corrida.

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Imagem: Reprodução / O2 por Minuto

Dentre os diversos efeitos deletérios que a ingestão de álcool pode acarretar em nosso organismo durante a prática de atividade física, destaco:

– Deterioração da função psicomotora, o que acarreta em um gesto mecânico menos eficiente e com maior risco de lesões;

– Diminuição do glicogênio muscular e da glicose sanguínea, promovendo uma queda importante do combustível energético para a realização da corrida e aumentando o risco de eventos de hipoglicemia;

– Alteração da Regulação Térmica, proporcionando maiores perdas de calor e favorecendo perdas importantes de líquido;

– Aumento da perda de líquido pelos rins, pois o álcool tem ação inibitória no hormônio antidiurético, aumentando a excreção renal de líquidos. Esse processo favorece a desidratação e distúrbio eletrolíticos (perdas de sódio, cloro e outros eletrólitos importantes às funções fisiológicas);

– Aumento do Catabolismo Muscular, acarretando perda de força, potência e massa muscular;

– Aumento do risco de arritmias cardíacas, favorecendo disfunções do sistema cardiovascular.

Tenha total consciência do papel do álcool na vida social das pessoas. Contudo, independente das circunstâncias, estudos mostram que não se deve treinar num período menor do que 12 a 24 horas (dependendo da quantidade ingerida), por causa dos riscos que ele pode causar à saúde do atleta. Por isso, se você saiu com os amigos à noite e acabou bebendo mais do que deveria, acorde após 8 a 10 horas de sono, tome um belo café da manhã, rico em carboidratos, hidrate-se abundantemente ao longo do dia e faça seu treino longo pelo menos 12 horas após o término do jantar.

Vamos nos cuidar, vida social também é importante. Bora praticar saúde!

Prof. Pedro Paulo Duarte Souza
Especialista em Treinamento Esportivo pela UFMG
CREF 008002-G/MG, Tel:  (32) 9982-9309
personal.pedro.paulo@gmail.com
Revista eletrônica Running News

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