Após maratona na Espanha, Gilmar Lopes segue em busca de índice para Tóquio 2020

*Reportagem: Priscila Oliveira . Foto de capa: Reprodução/Rio Pira

Um dos principais nomes do atletismo nacional na atualidade e com títulos expressivos em algumas das principais provas pelo mundo, o atleta Gilmar Silvestre Lopes, de São Miguel do Anta, acaba de retornar da Maratona de Valência, na Espanha. A prova foi realizada no último domingo, 1º de dezembro, e era uma oportunidade de ouro para o corredor alcançar índice para as Olimpíadas de Tóquio 2020, no Japão.

Ele correu os 42,195km em Valência domingo passado e, por cerca de quatro minutos, não atingiu marca para as Olimpíadas (Foto: arq. pessoal)

“O clima estava muito bom, tinham várias pessoas assistindo a prova e torcendo pela gente. Até o km 30 eu estava junto com o grupo de pace 02h11min, para me classificar para Tóquio. Depois, fiquei correndo sozinho e meu ritmo caiu. Completei os 42,195km com o tempo de 02:15:36 e na 48ª colocação. Não deu dessa vez, mas vou correr outra maratona em fevereiro. Com fé e trabalho duro, ainda vou conseguir”, ressalta.

Aos 30 anos, o mineiro explica que existem duas formas para a classificação olímpica: por tempo (até 02:11:30) ou estando entre os melhores atletas do ranking de maratonas. “Tenho até maio para conquistar essa vaga. Estou acertando os detalhes para correr em Sevilha (Espanha). Já faz um ano que estou sem patrocínio. É muito difícil um atleta se dedicar 100% às maratonas dessa forma, inclusive, sem clube. Espero que 2020 seja melhor, por conta do olhar olímpico”.

Superação

Gilmar explica que a falta de recursos financeiros vai tirá-lo de duas das principais disputas do calendário nacional. “Este ano, não vou correr a Volta da Pampulha nem a São Silvestre. Os gastos para ir nessas provas é muito grande – tem passagens, hotel, alimentação etc. Ano passado fui o melhor brasileiro na Volta da Pampulha. Mesmo assim, a organização da prova não me convidou para esta edição, o que é mais um motivo para eu não ir”, lamenta.

Em maio ele vai encarar outro desafio espanhol com foco nos Jogos. Até lá, objetivo é conseguir patrocínio (Foto: Wagner Carmo/CBat)

Com passagens por países como Argentina, Uruguai, Equador, Japão, Alemanha e Polônia, alguns dos principais títulos do são-miguelense nesta temporada foram o vice-campeonato da Meia Maratona do Rio, em junho, e do Sul-Americano de Meia Maratona, no Paraguai, em agosto. Grato pelo apoio do treinador, da família e dos amigos nessa jornada, o atleta se orgulha pela história que vem escrevendo há mais de uma década na modalidade. “Comecei a correr aos 17 anos, com o objetivo de melhorar de vida, conhecer lugares e culturas diferentes. Eu trabalhava no plantio de tomates e não queria continuar com esse serviço, porque tem muito veneno [agrotóxico]. Agradeço ao atletismo por me dar a chance de conhecer vários países. Hoje tenho uma casa graças ao esporte – trabalhando na roça seria difícil conseguir comprar uma”.

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