ARTIGO: Barrigão na pista

 

Como, depois do penúltimo artigo, muitas alunas vieram me perguntar sobre a corrida para gestantes – pois algumas pensam em engravidar e não querem parar de correr completamente, tentarei esclarecer um pouco mais desse assunto…
Quando o teste de gravidez dá positivo, é natural que a cabeça da mulher se encha de dúvidas. Mas a corredora tem uma questão a mais: “Vou poder continuar treinando?”. Elas logo vem nos perguntar se podem malhar ou não, e se há alguma recomendação especial sobre atividade física, sua intensidade e duração.
Essas respostas devem ser dadas pelo médico. É ele quem precisa avaliar se a paciente está em condições de praticar atividade física, se a gestação é normal, se não há riscos e checar diversos outros fatores que envolvem a saúde da mãe e do bebê. Mas a pergunta que fica é: depois do “sim” do médico, as gestantes saudáveis devem ou não fazer exercícios?
Desde a década de 1950, o Colégio Americano de Medicina Desportiva (ACSM) revisa a literatura médica sobre exercícios na gestação. Naquela época, a recomendação era bem conservadora: as grávidas só podiam caminhar 1 milha (1,6km) por dia. Na década de 80, as gestantes eram orientadas a treinar três vezes por semana, entre 15 e 20 minutos por sessão. Atualmente, porém, especialistas dizem que mamães podem e devem se exercitar em níveis leves (60% a 70% da frequência cardíaca máxima, ou FCM) a moderados (75% a 85%). Estudos feitos com animais mostram que atividades intensas (acima de 85% da FCM) prejudicam a oferta de oxigênio do bebê.

As pesquisas também apontam que atividades físicas de até 1 hora não oferecem risco de elevação excessiva de temperatura corporal, fator que poderia oferecer complicação à gestante e ao feto. Com relação à frequência, há algumas décadas, recomendava-se limitar a três sessões semanais, mais atualmente a orientação é de que é possível se exercitar entre três e cinco vezes por semana. Ainda de acordo com os estudos, não há restrição quanto ao tipo de atividade a ser praticada.

O histórico da atleta também é muito importante. Sempre levando em conta o aval do médico, é possível dizer que, se a gestante já corria antes da gravidez, a chance de poder continuar treinando é maior. Quanto mais condicionada, mais tranquilo será esse processo. Já para as mulheres que começaram a correr há pouco tempo ou não tem muito condicionamento, minha orientação é pegar bem leve pelo menos nos três primeiros meses de gravidez. Para aquelas que estão pouco ou mal condicionadas, até um trote pode ser excessivo. Lembrando que a “corredora” tem que atuar de acordo com as recomendações médicas e de um profissional de educação física.
Ela deve, ainda, evitar percursos mal iluminados, esburacados e até mesmo o sobe e desce das calçadas – a última coisa que queremos é uma queda. Assim, a esteira pode acabar sendo uma alternativa mais segura nessa hora. Como é de praxe, buscar sempre orientação de profissionais qualificados.

Bora se exercitar com saúde e consciência!

Pedro Paulo Duarte
profissional de educação física
CREF: 008002-G/MG

* Fotos: Corpo em Dieta e MdeMulher

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