ARTIGO: Doping musical: Música x Desempenho

O percurso está difícil e você se questiona se vai conseguir completar a corrida – falta ar, a perna pesa, o ritmo diminui… Até que aquela música toca no seu MP3 e tudo parece fazer sentido novamente. Você é tomado por uma sensação de bem estar, confiança e alegria. Uma injeção de ânimo dá novo gás às suas passadas e a linha de chegada parece estar logo ali.
Os benefícios que a música pode trazer para a atividade física foram comprovados por um dos maiores especialistas em psicologia do esporte no mundo. O treinador e pesquisador inglês Costas Karageorghis estuda, há 20 anos, como e por que a música certa pode influenciar o desempenho esportivo. Ele é responsável pelo núcleo de pesquisa que analisa as relações entre música e esporte na Universidade de Brunel, em Londres (Inglaterra), e está prestes a lançar mais um livro sobre o assunto, intitulado Inside Sport Psychology (Dentro da Psicologia do Esporte, em tradução livre).
Num estudo realizado em 2009 e publicado no Journal of Sport & Exercise Psycology, Karageorghis demonstrou que a música certa pode fazer você correr mais e melhor – o tempo passa mais rápido, você ganha ritmo, diminui sua percepção de cansaço e melhora o humor. O poder estimulante da música para o desempenho físico dos atletas chega a ser maior que o das drogas ilícitas usadas em dopings esportivos, entre outros benefícios para a saúde.
Ouvir música aumenta a capacidade de oxigênio no sangue e melhora o desempenho do atleta, segundo o Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, em Leipizig, na Alemanha. E isso é legal, atestam alguns especialistas.
Além de uma motivação extra para os atletas, a música é um ótimo método regulador do humor, tanto antes como durante as atividades físicas. E ainda afirmam: vários atletas se apegam à música como se fosse uma droga lícita, utilizando-a como estimulante ou sedativo. A excitação também pode ser reduzida no caso de se ouvir uma canção mais lenta.
O corpo reage à música, os sons podem ter influência sobre a taxa de respiração, a qual altera os níveis de oxigênio no sangue. As mudanças são claras na taxa de respiração durante a audição de músicas (Koelsch). Outros efeitos da música quando se está praticando exercícios são:
- Redução de percepção em cerca de 10%;
- Redução de aspectos negativos, como depressão, tensão, fadiga e raiva;
- Incremento do potencial de aspectos positivos, como energia, entusiasmo e felicidade;
- Pode ser usada para definir o ritmo do indivíduo em sua atividade;
- Auxílio para superar o cansaço e controlar a emoção durante uma competição.
Portanto, ao ouvir música, durante a atividade física ou não, pense que não é só simplesmente uma música; e sim, um forte aliado ao seu desempenho físico e mental para as atividades esportivas e diárias.
Bora praticar saúde!
Pedro Paulo Duarte
profissional de educação física
CREF: 008002-G/MG
* Imagens: reprodução web

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