Atividade física em jejum

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Imagem: Reprodução / NE10 – Uol

Olá, Caros Leitores! Há de se saber que a obesidade se tornou um grave caso de saúde pública, elevando os índices percentuais da população brasileira a níveis alarmantes. Dados recentes apontam que mais de 50% da população estão acima do peso ideal e, desse número, 17,5% estão obesos. Entre as crianças, mais de 39% estão acima do peso e com chances de 50 a 70% de chegarem à idade adulta com problemas de saúde relacionados à obesidade (MONTEIRO et al, 2003). Somando-se a esse fato, observa-se uma cobrança incessante, por parte da mídia e sociedade, pelo corpo esteticamente magro e malhado, o que leva ao surgimento de inúmeras estratégias para ajudar na perda de peso e, mais precisamente, da gordura corporal – muitas delas, sem bases científicas e com sérios riscos à saúde.

Abordaremos acerca de um tema muito polêmico, que vem ganhando espaço nas academias e está sendo divulgado nas redes sociais: a atividade física em jejum como estratégia para perda de gordura corporal. Provavelmente, se você frequenta academias de musculação, clubes e salas de ginástica, ou acessa as redes sociais, já deve ter observado alguns praticantes comentarem sobre a prática de exercício em jejum como forma de acelerar o emagrecimento.

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Imagem: Reprodução / Esporte Essencial

A ideia do método é praticar a atividade física sem uma refeição prévia (período de 8 a 12 horas de inanição), com o propósito de aumentar o uso da gordura como substrato energético e, com isso, reduzir gordura corporal subcutânea. Essa abordagem visa aproveitar a baixa disponibilidade da glicose sanguínea circulante, ocasionada pelo longo período sem ingestão de alimentos, para aumentar a contribuição da gordura como fonte de energia para o exercício.

Porém, apesar de alguns estudos observarem que a atividade física em jejum provoca o aumento da quebra de gordura subcutânea em ácidos graxos livres (molécula de gordura circulante), os mesmos comprovaram que o organismo não a utiliza em sua totalidade, fazendo com que esses ácidos graxos que não foram utilizados no metabolismo se transformem novamente em gordura subcutânea, indo, dessa maneira, à contramão do proposto. Além do mais, diversos estudos apontam que a perda de gordura e oxidação dos lipídios após o exercício em jejum não apresentam números significativos, tendendo mais aos riscos do que aos benefícios, entre eles, o estado hipoglicêmico (baixos níveis de açúcar no sangue) regular, que pode levar a quadros de disfunções endoteliais (tecidos), que, consequentemente, aumentam os riscos cardiovasculares (BHUTANI et al, 2013; VARADY et al, 2013 DSOUZA et al., 2010).

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Imagem: Reprodução / Ativo.com

Em contrapartida, cito um estudo de VAN PROYEN (et al, 2011), que apontou que atletas de resistência (ciclistas, corredores de longas distâncias etc.) podem se beneficiar do treinamento em jejum. Nesse estudo, os resultados indicam que a restrição de carboidratos parece tornar as células musculares mais eficientes na produção de energia, via oxidação (queima) da gordura intramuscular. No entanto, a gordura intramuscular (dentro do músculo esquelético) não possui relação com a gordura estimada da composição corporal. Talvez, resida aí uma das explicações para os casos que contrariam a fisiologia, quando o assunto são quenianos, etíopes, enfim, populações de áreas pobres do continente africano que treinam, na maioria das vezes, sem se alimentar e hoje lideram o ranking de campeões nas provas de longa distância. Mas, isso é outro assunto.

Portanto, não sou a favor do exercício físico em jejum como forma de redução de gordura corporal, muito menos qualquer tipo de dieta radical. Sugiro um belo e nutritivo café da manhã, que o deixará bem mais disposto e apto para um treino de qualidade e eficácia. Aproveito a oportunidade desse primeiro artigo de 2016 para desejar um excelente ano, repleto de realizações, respeito mútuo e, claro, muita saúde e malhação.

Forte abraço, e bons treinos!

* Sugestão de bibliografia: EMAGRECIMENTO: Quebrando mitos e mudando paradigmas – Paulo Gentil, 2014.

Se você quer saber mais sobre os assuntos dessa coluna, entre em contato pelo e-mail f_caliaro@yahoo.com.br!

Prof. Esp. Fábio Mendes Gomes Caliaro
Graduado em Educação Física pela UFJF
Pós-Graduado em Musculação e Treinamento de Força pela UGF
Personal Trainer - Tel: (32) 9916-3682 / CREF 010907-G/MG
* Imagem de capa: Reprodução / Dicas de Treino

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