Atleta Fabiana Duarte relata final do Brasileiro de Corrida de Aventura

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Fabiana Duarte com os colegas de equipe na competição em São Paulo (Foto: arquivo pessoal)

Neste fim de semana, dias 11 e 12 de dezembro, competi a final do Campeonato Brasileiro de Corrida de Aventura com a Equipe Competition Aroeira, de São Paulo, onde sou Federada. Garantimos a vaga através da indicação da Federação Paulista de Corrida de Aventura (FPCAv), pelos bons resultados nas provas do estado de São Paulo.

Os amigos de Brasília, da Oficina Multisport, iriam passar por Juiz de Fora e, gentilmente me deram uma carona até São José do Vale do Rio Preto, local da prova.

Cheguei sexta-feira à tarde na pousada sede do evento e aguardei a equipe até na hora do Briefing (20h), quando soube que chegariam apenas de madrugada, pois saíram muito tarde de São Paulo. Eu mesma tive que pegar o mapa e ‘plotar’ os PCs, de acordo com as orientações do organizador no Briefing. Insegura, dei uma conferida com os mapas dos navegadores experientes. Sem problemas, pois na Corrida de Aventura não temos adversários; somos todos uma grande família.

Não pude arrumar muita coisa de comida, mochila e caixa de reabastecimento, pois dependia da chegada dos meninos. Me acomodei como pude no alojamento, ‘nu pelo’, já que esqueci de levar roupa de cama. Estendi uma canga no colchão de espuma, improvisei um travesseiro com roupas emboladas, cobri com uma toalha e deitei. Estava preocupada com os meninos, já que não tinha sinal de telefonia no local. Minha aventura já havia começado!

Levantei às 6h do sábado, peguei a bike e fui até a sede da pousada, pensando que encontraria a equipe, mas não havia nem sinal nem notícia deles. Comecei a preparar minha mochila, enquanto os colegas brincavam, dizendo que eu teria que largar solo, mas eu sabia que chegariam em cima da hora. Dito e feito. Chegaram 7h30, depois de uma cansativa viagem. A pousada que reservaram ficava longe da sede do evento.

Thiago Bonini traçou os caminhos no mapa de última hora. Arrumamos as caixas de reabastecimento, as mochilas e largamos. Conheci o Adailton (Aguiar), triatleta que veio para substituir um dos nossos atletas que não pode vir. Seria a primeira corrida de aventura dele, que foi muito corajoso em topar esse desafio de correr a final de um campeonato brasileiro, numa região muito montanhosa (montanhas sem fim no MTB e trekking!), numa prova de aproximadamente 170km divididos entre Mountain Bike, trekking, canoagem e técnica vertical.

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Equipe Competition Aroeira (Foto: arquivo pessoal)

Antes da largada, combinamos de fazer a prova num ritmo moderado, já que dois dos atletas, Thiago e Emerson (Furlanetto), estavam cansados do Mundial no Pantanal, e para preservar o Adailton, que, apesar de ser um atleta de endurance, não sabia o que encontraria pela frente.

A prova já largou morro acima, para um MTB de 90km. Fazia muito calor. Tentamos manter um ritmo constante, mas pudemos perceber as primeiras equipes se afastando, o que foi um pouco frustrante. A região é muito bonita, com muita mata preservada, montanhas, rochas e trilhas. Num trecho técnico de downhill, Adailton caiu e empenou a roda dianteira, o que não o impediu de continuar na raça. Entre outros problemas com a bike, mas com uma navegação certeira do Thiago, pegamos todos os Postos de Controles Virtuais (PCv) e chegamos na primeira área de transição (AT) para um pequeno trekking até o Rio Bonito, onde fizemos aproximadamente 10km  de canoagem, para partirmos novamente para um trekking, onde conseguimos correr (trotar) o tempo todo, exceto nas subidas mais íngremes. Ao final desse trecho, começou a chover bem forte e os clarões dos relâmpagos no céu revelavam em relances a bela silhueta da serra carioca – um espetáculo para nossos olhos cansados com o sono que já vinha batendo.

Na AT 4 (trekking/bike), fizemos uma transição mais demorada, onde nos alimentamos, hidratamos e abastecemos as mochilas com os alimentos, água, corta vento e tênis para o trecho final de bike/trekking/bike, onde enfrentaríamos muita chuva, subidas, descidas e lama. Recebemos o incentivo dos amigos da Go Crazy AKSA, que, infelizmente, tiveram que abandonar a prova, pois não encontraram o PCv 9.

Num trecho longo de asfalto, conseguimos imprimir um ritmo mais forte até encarar a subida para o PC no alto da Fazenda Recanto das Pedras. Pedalando concentrada na subida, debaixo de muita chuva, nos assustamos com uma rede de alta tensão que se soltou bem atrás de nós, colocando fogo em um galho de árvore. Ao chegarmos no PC recebemos a notícia de que éramos a quarta equipe a chegar ali e que o trekking no meio da serra havia sido cancelado devido à forte chuva, bem como o rapel. Descemos e chegamos ao trecho final com muita união e incentivo uns aos outros, e ficamos satisfeitos com a quarta colocação na prova.

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Atletas da Federação Paulista, representando o estado de São Paulo (Foto: arquivo pessoal)

Após a prova, ouvimos muitas histórias…. Engraçadas, de medo, superação! Todo corredor de aventura tem muita história para contar, mas, às vezes, nem conta com medo de não ser acreditado. Portanto, deixo aqui esse relato para que nossa história não se perca no tempo – apesar de que tudo o que passamos ficará, talvez, apenas na nossa memória. Num esporte que se desenrola no meio do mato, sem pose pra foto, sem aplauso, ‘sem pódio na chegada ou beijo de namorada’, mas que é gratificante pelo simples fato de superar a si mesmo e às diversidades da natureza. Penso quando alguém pergunta: ‘Mas o que você ganhou?’. Eu não sei explicar… Só sei que ganho a cada corrida.

Agradeço à equipe Competition Aroeira e meus companheiros nessa corrida: Emerson, Thiago e Adailton. Agradeço aos organizadores que nos proporcionam esses momentos. À FPCAv e aos meus apoiadores, Pinabikes e Studio FG3.

Desejo muitas aventuras a todos no próximo ano. Que as empresas olhem mais para a Corrida de Aventura e que o ser humano respeite mais a natureza, para que possamos continuar vivendo e praticando nosso esporte.

Abraços. Fabi

Um comentrio
  1. Fabiana Duarte
    Dezembro 18, 2015 | Responder

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