Borel de Braços Abertos recebe atletas de JF e região no Rio

* Priscila Oliveira ; Foto de capa: Divulgação

“O esporte é a plataforma para transformação da comunidade”. É com esse entendimento e através da reunião de atletas de diversas comunidades cariocas, com o objetivo de mostrar a importância da pacificação como um processo de integração não só entre o morro e o asfalto, mas entre locais antes tidos como “rivais”, que o Projeto de Braços Abertos inicia sua quarta temporada. Para começar os trabalhos, quem “abre os braços” para os milhares de participantes e adeptos da iniciativa é o Morro do Borel, localizado no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. A postos nos percursos de 10k e 5km vão estar os representantes de Juiz de Fora, Fábio Acauhi (Acauhi Running Team), Jhonathan Elias (SaúdePerformance) e Tina Costa, além do corredor Antônio Gonçalves (Vem Correr/ Via Texto), de Piau. Eles se dividem nos percursos de 10km e 5km.

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Fábio Acauhi no projeto Borel de Braços Abertos (Foto: arquivo pessoal)

Sentimento de paz e alegria

No circuito pela terceira vez e prestes a completar sua terceira participação na prova do Borel, Acauhi vem abaixando o tempo gradativamente a cada etapa, mas acredita que essa não é uma prova para pensar em marca; e sim, em superação. “Ela conta com uma reta de aproximados 6,5km. Logo após, teremos que vencer o Morro do Cruz, com uma subida duríssima e íngreme por 2km, tirando a possibilidade de uma corrida bem sucedida. Para finalizar, uma descida de 1,5km muito forte, no Borel”, pontua.

Para ele, o fator social é um grande motivo para querer integrar a iniciativa. “Correr nas comunidades, nesse projeto, é muito prazeroso. O carinho e a hospitalidade do povo carioca são contagiantes. Esses eventos trazem sentimento de paz e alegria, importantes para manter a comunidade sempre pacificada”.

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Antônio Gonçalves venceu os 10km no ano passado (Foto: arquivo pessoal)

De olho no bicampeonato

Campeão da edição passada dos 10km no Borel, Gonçalves quer faturar o segundo título consecutivo da disputa. “Vou tranquilo, mas sempre respeitando o adversário e com a noção de que não é nada fácil ganhar. Sei que tenho que correr muito para vencer, mas também sei da força que tenho para competir em subidas, porque estou acostumado a treinar nas serras de Piau. Parece até que a gente está correndo no lugar onde mora. Ver a comunidade torcendo no trecho da corrida é muito bom”, destaca.

Para chegar ao topo do pódio na prova principal mais uma vez, o piauense revela sua estratégia. “Correr, simplesmente isso. É um circuito de 5km de baixada no começo, no entorno da Tijuca, e depois tem uma pedreira de subidas muito difíceis de fazer toda correndo, no Borel. Em seguida, vem uma descida onde a velocidade máxima é tipo 2:20/km. Você vai até o topo e depois desce, com chegada no final da descida. Sobe por um lado e desce pelo outro. É uma experiência muito boa correr no meio da comunidade, não dá medo nenhum”.

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Jhonathan Elias foi 3º geral dos 5km em 2014 (Foto: Divulgação)

Rumo à vitória

Terceiro colocado geral no trajeto de 5km em 2014, Elias também está pronto para enfrentar os desafios da disputa. “É uma prova muito difícil, com a subida mais ‘insana’ que já vi. Corre 1km, sobe 2,5km e desce 1,5km. É doideira, mas a vista que ela proporciona é ‘insana’ também. Correndo na comunidade, a gente observa pontos que passariam batidos por outra pessoa. É uma sensação totalmente única, muito linda e que curto bastante”, enfatiza.

O objetivo agora é bater sua marca e chegar ao lugar mais alto do pódio. “Nessa prova, a estratégia vai ser a mesma do ano passado: sair bem forte, porque, como a subida é muito íngreme, é praticamente impossível subir correndo. Depois, não tenho muito o que fazer. O negócio é tentar descer o mais rápido possível”.

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Tina Costa quer compartilhar sua alegria com o Morro do Borel (Foto: Hugo Keyler)

A ‘cara’ da corrida

Estreante no circuito, Tina Costa encara os 5km com alternativa para participar do Projeto de Braços Abertos, um evento que, para ela, chama atenção por uma série de motivos. “Acho que essa corrida tem a minha cara, de gente que é feliz tendo tão pouco, passando, às vezes, por necessidade. O que move aquele povo é a esperança, e a mim também. Sou intensa demais para ficar só no asfalto. Sou de riso fácil, roupa curta, cabelo para o alto. Sou favela. O coração está a mil para subir as ladeiras e os becos de uma realidade tão próxima da minha”, declara empolgada.

Natural de Inhapim, no Vale do Rio Doce mineiro, a corredora quer conhecer a prova, mas já pensa igualmente em vencer. “Dizem que é muito difícil, com muito morro, subidas e descidas – o que faz ficar melhor ainda. Como não sei quem vai correr lá, vou para ganhar. Toda corrida eu vou para ganhar, mas também tem as outras corredoras… Então, que vença a mais rápida”.

De Braços Abertos até novembro

A edição do Projeto de Braços Abertos no Morro do Borel começa às 7h30, com largada e chegada na Rua São Miguel, sem número. O evento também conta com uma prova Kids de 50m a 1km de trajeto, dependendo da faixa etária da criança. Até o mês de novembro, outras quatro etapas estão programadas, consecutivamente nas comunidades do Vidigal, Caju, Jacarezinho e Santa Marta.

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