Com 9 anos, nadadora paralímpica encontra nas piscinas um caminho para superar os próprios limites

* Reportagem e fotos: Priscila Oliveira

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Vithória Mateus esbanja alegria de viver e contagia todos à sua volta

Pegar chup-chup na geladeira, comer de garfo e faca, pentear seu cabelo e dos outros, trocar de roupa sozinha e manter os cadernos da escola rigorosamente caprichados são apenas algumas atividades que a pequena Vithória Mateus, de 9 anos, realiza com os pés – isso, por conta de uma deficiência que a impediu de nascer com os dois braços. Moradora do bairro Santa Cruz, na Zona Norte de Juiz de Fora, apesar da pouca idade, ela encontra na superação dos próprios limites um caminho a mais para mostrar que, independente das circunstâncias, motivos para sorrir e ser feliz são o que não faltam.

“Meu sonho é ir para a Holanda, porque vi na Copa. Ainda não sei o que tem lá, mas quero viajar para bem longe, conhecer outros países. Quando crescer, vou ser jornalista, cantora gospel e advogada”, revela timidamente.

Enquanto essas metas não são alcançadas, a menina dedica boa parte do tempo à pratica esportiva. “Gosto muito de nadar, acho divertido e dá para fazer muitos amigos. Meus coleguinhas são legais, querem sempre me ajudar. Já me considero uma atleta, mas ainda não sei até onde vou chegar com o esporte”. Ela começou a nadar há cinco anos, incentivada pelos pais e pela resposta positiva a exercícios de fisioterapia, e não parou mais. Praticamente um “peixinho” nas piscinas, a nadadora se alegra por ter conquistado até medalha recentemente, num torneio local, voltado para atletas especiais.

Ultrapassando barreiras, até o futuro

Segundo a professora Juliana de Moraes Macedo, responsável pela natação do projeto JF Paralímpico, oferecido pela Prefeitura e do qual Vithória faz parte, o esporte é uma excelente ferramenta para a inclusão social. “A natação ajuda muito no desenvolvimento físico dela, principalmente nas pernas. Na equipe, ela não tem algumas provas, como o nado peito, mas o ‘crawn’ e a ‘pernada’ são executados normalmente – sempre competindo com crianças de acordo com sua classificação funcional. Independente do tipo de deficiência, os pais precisam incentivar os filhos sempre, pois isso é ótimo para a autoestima deles. O convívio com outras crianças e com outras pessoas fazem muito bem, não só física, mas psicologicamente também”.

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Grande incentivadora da filha, Rosilene não abre mão de colaborar para a realização dos sonhos de Vithória

É pensando nisso que a mãe da garotinha, Rosilene Nascimento Mateus, não se cansa de comemorar as conquistas da filha, dia após dia. “Não vou mentir. Quando o médico falou para mim que a Vithória iria nascer sem os membros, pensei que ela não fosse fazer praticamente nada. Mas ela ultrapassa tudo – não tem limites para abraçar, comer, estudar… Chego à escola, e o nome dela é o primeiro lugar na lista do ditado. Ela veio com essa missão, de mostrar que nada pode tirar a felicidade de uma pessoa. E ela é feliz, sempre diz que a vida é tudo”.

Assim, o que Rosi deseja para o futuro pode ser resumido em uma só palavra: vitória – como o próprio nome dessa pequena gigante revela. “Quero vê-la primeiro na presença de Deus, seguindo o caminho que o Senhor permitir. Mas, pretendo, e tenho certeza, de que vou ver minha filha numa faculdade. No que depender de mim, ela vai longe, e sendo muito feliz, que é o mais importante”, encerra.

JF Paralímpico

Através da Secretaria de Esporte e Lazer, o programa JF Paralímpico oferece vagas gratuitas em modalidades como atletismo, bocha, futebol e tênis de mesa para pessoas com algum tipo de deficiência (física, auditiva, intelectual, visual ou múltipla). No caso da natação, as aulas acontecem de segunda à sexta-feira, de 14h às 16h30,  e quartas e sextas, de 9h às 11h, no Sport Club Juiz de Fora. Outras informações pelo telefone (32) 3690-7853.

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