CONTAGEM DE BICICLETAS EM BENFICA: 997 veículos alternativos passaram no trevo com a Avenida JK

Fluxo intenso de mulheres foi uma das principais surpresas apontadas pelo levantamento
A contagem chamou a atenção de pedestres, ciclistas e motoristas
que passaram pelo trevo na entrada do Bairro Araújo
(Foto: Priscila Oliveira / Rumo Certo)
Doze horas, 997 pessoas, sendo pelo menos 10% mulheres, utilizando meios alternativos de transporte (incluindo skates, carroças animais e carroças humanas – os chamados carrinhos de reciclagem), com média de 83,3/h e períodos de pico de 6h às 8h e das 17h às 18h. Esses foram os principais índices apontados pela contagem de bicicletas em Benfica, realizada ontem, 23, no cruzamento da Avenida Juscelino Kubitschek com o Bairro Araújo, próximo às escolas estaduais Francisco Faria e Almirante Barroso, na altura da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) de Juiz de Fora. A ação foi uma parceria entre a ONG Mobilicidade JF, o grupo Benfica Bem Melhor e o Pedal Ecológico de Benfica, com o objetivo principal de confirmar para as autoridades locais a demanda de um projeto de mobilidade urbana, especialmente pela construção de uma ciclovia, que também atenda à Zona Norte.

A primeira discussão do levantamento no bairro acontece ainda nesta quinta-feira, 24, às 18h, na oficina comunitária do Plano Diretor, no Centro Pastoral da Igreja Imaculada Conceição (Rua Tomé de Souza, 195).

Inspirados na Associação Transporte Ativo, fundada na década de 1990 no Rio de Janeiro e um dos principais grupos de incentivo ao uso da bicicleta e afins como meios de transporte sustentável no país, os responsáveis pela Mobilicidade JF já realizaram outras duas contagens na cidade: a primeira em meados do ano passado, quando foram identificados 1142 veículos alternativos no cruzamento entre as avenidas Rio Branco e Itamar Franco (antiga Independência); e a segunda, no último mês de março, com exatos 620 pela ponte do Manoel Honório.
A conselheira da ONG, Aline Rocha, que também é arquiteta e urbanista, explicou que, segundo a Lei de Mobilidade Urbana, do Governo Federal, através do Ministério das Cidades, todos os municípios com mais de 500 mil habitantes são obrigados a fazer um plano integrado de transporte, privilegiando primeiramente os pedestres e, em seguida, os ciclistas. Para isso, são necessárias as ciclovias. “A administração passada julgou que Juiz de Fora não tinha vocação cicloviária, e essa contagem é exatamente para provar o contrário; temos demanda sim, mas precisamos de toda uma rede, e não de um ciclovia de lazer, porque isso a gente já tem na UFJF”.
A trabalho ou levando os filhos à escola, as mulheres são algumas das
principais responsáveis pelo fluxo de bicicletas na Avenida JK
(Foto: Gircélia Ferreira / Jornal Zona Norte)
Mulheres na via e surpresa
À frente do grupo Benfica Bem Melhor, que responde pela Associação de Moradores (AMBB), a jornalista Aline Junqueira encarou a contagem de bicicletas como algo muito positivo. “É um veículo realmente utilizado, a maioria por trabalhadores, que passam de uniforme e bota, indo e voltando do bairro. Os horários de pico são exatamente durante a entrada e saída do serviço e das escolas, sendo que muitas mães levam as crianças, o que significa mais atenção para esse tipo de uso. Mas o que mais nos surpreendeu foi saber que a JK é a via de maior utilização das bicicletas, mesmo não tendo acostamento e com os carros passando sempre em alta velocidade”.
O presidente do Pedal Ecológico de Benfica, Janderson Moura, não esperava a quantidade de bicicletas no trecho, que liga o Acesso Norte aos bairros do entorno. “Precisamos integrar a comunidade e toda a sociedade num benefício que traz qualidade de vida, na busca pela ciclovia. Essa pesquisa nos forneceu dados histórico-científicos para que, num segundo passo, estejamos todos juntos, lutando por transitar de forma mais segura para o trabalho, escola ou lazer, diminuindo a poluição, o tempo de acesso e conquistando essa tão desejada mobilidade urbana”.

Em busca de mais
De acordo com Aline Rocha, o projeto apresentado em audiência pública na Câmara Municipal, recentemente, prevê apenas a construção de uma ciclofaixa entre o Viaduto Augusto Franco, no Poço Rico, e a ponte do Manoel Honório. “Se você vai fazer uma ciclovia que liga nada a lugar nenhum, está privilegiando a quem? Está fazendo para os eleitores te darem voto, mas não porque a cidade necessita. Percebemos essa demanda de ciclistas na Zona Norte, e queremos mostrar que a ciclovia precisa chegar até Benfica”.
No mesmo sentido, a Associação de Moradores de Benfica pretende intensificar a cobrança para que as autoridades locais se posicionem efetivamente sobre a questão. “Queremos que o poder público tome a iniciativa de transformar essa realidade, porque o ciclista continua sendo ignorado na cidade e, principalmente, na nossa região. Tudo custa a chegar para nós. Os ciclistas precisam de um plano, uma sinalização… tem coisas que não precisam ser necessariamente uma via; pode ser a redução de velocidade dos carros, por exemplo. É uma questão de educação também”, finaliza Aline Junqueira.Retorno à contagem, que continua

Em resposta à iniciativa de ontem, o secretário de Governo, José Sóter de Figueirôa, anunciou, durante entrevista à uma emissora de TV local nesta quinta-feira, 24, que o bairro Barbosa Lage também está incluído no projeto da ciclovia. Segundo ele, as obras devem começar em maio. Já a contagem de bicicletas na cidade continua, tendo o Linhares, a Rua Dom Silvério (Alto dos Passos) e o Distrito Industrial como próximos roteiros da ONG Mobilicidade JF.

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