Copa de MTB homenageia ciclista Leandro Gaudereto

* Priscila Oliveira; Foto de capa: arquivo de família

leandro em família - arquivo de família

Leandro Guadereto com os pais e as irmãs (Foto: arquivo de família)

“O Leandro estava com 35 anos e deixou o Davi, que tinha 9 meses na época. Ele era um cara que gostava de aproveitar a vida. Na adolescência, era basquete e reggae; na fase adulta, era trance e Flamengo – flamenguista roxo, por sinal. Queria se divertir, podia procurá-lo. Cara do sorriso largo, o xodó dos meus pais. Éramos três: eu, ele e nossa irmã Karina. A dor e a saudade estão tão grandes, e ele era uma pessoa tão especial, que resolvemos deixar transbordar tudo isso de uma forma que ele gostaria que fosse: alegre, reunindo pessoas do bem e com uma energia bem positiva, pois ele era assim – alguém do bem e que sempre emanou boas energias”. É dessa forma que Kamilla Gaudereto, 29, define o irmão, ex-atleta amador e principal motivo do evento que acontece neste domingo, 24, em Juiz de Fora.

Dedicação mobilizadora

Realizada um ano após uma queda que tirou o ciclista do convívio com familiares, amigos de uma vida inteira e colegas de pedal, a Copa Leandro Gaudereto de MTB volta a reunir todas essas pessoas, a partir de 10h, na região de Humaitá, para uma programação especial, embalada por disputas de 50km e 24km, que integram uma bela homenagem ao juiz-forano que dá nome à competição. “O Leandro começou a pedalar uns três anos antes de falecer, mas se empolgou e levou muito a sério. Começou a treinar pesado, participar de competições e a ganhar. Os atletas falavam ele era muito forte e, se continuasse naquele ritmo, iria ganhar muitas provas. O fato dele levar a bike a sério ajudou até na vida pessoal, porque ele ficou mais organizado e comprometido com o trabalho e a família”, revela Kamilla.

leandro com amigos de pedal - arquivo de família

A paixão de Leandro (ao centro) pelo MTB se transforma num grande evento (Foto: arquivo de família)

Segundo ela, apesar de uma “mistura de sentimentos”, o que os Gaudereto mais desejam agora é que a Copa seja um sucesso. “Só estamos rezando para que tudo corra bem e não haja nenhuma intercorrência, porque fizemos tudo com muito carinho e dedicação. Aos poucos, todos que foram se envolvendo nisso, através de parcerias, também começaram a entender, mesmo sem explicações, o quanto esse evento representa para nós”.

Desafios técnicos e dicas especiais

Responsável pela organização do evento pela equipe No Limits – Circuito Stopa de Esporte, ao lado da companheira Jamile Lamha, a  atleta profissional de MTB e treinadora Roberta Stopa (nossa colunista de Pedal e Ciclismo) antecipa os desafios que cerca de 200 atletas, entre profissionais e amadores, vão enfrentar durante os trajetos. Para os mais experientes (50km), as disputas acontecem em meio a trilhas e estradas; já para quem avança na modalidade (24km), a competição oferece 100% de estradas.

“Pelo que tenho visto em relação à temperatura, o sol vai aparecer. Então, para o pessoal dos 50km, é uma prova que começa com uma subida muito dura (conhecida como ‘Tour de France’), pega um ‘estradão mais rolado’ e entra na primeira trilha, que é a da ‘Canaleta’. Depois, retorna para uma estrada sentido Torreões, com uma subida forte, segue por umas estradas bem rurais (que não tem movimento de carro, mas são cheias de subidas e descidas) e entra na segunda trilha, conhecida como ‘Catay’. Em seguida, os atletas vão pegar estrada novamente – a principal, que vai para Humaitá. De lá até o sítio, eles vão ter uma surpresa: uma trilha de inclinação bem forte e que ainda não tinha sido liberada até o reconhecimento. Por fim, só descida, até chegar ao sítio da família”, pontua Stopa.

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Referência no XCM, Raquel Gontijo volta a Juiz de Fora como um dos grandes nomes da disputa (Foto: Divulgação / FMC)

Ela acredita que quem sair muito forte já no ‘Tour de France’ e não souber dosar durante o restante da prova vai chegar ao final do percurso “destruído”. “É uma região onde a topografia tem muitas subidas e descidas – quase não tem plano. Por isso, ela exige demais dos atletas. Por ser uma prova de 50km, outra dica que deixo para eles é: tem que usar alimentação, tem que usar hidratação, porque são dois pontos de água no percurso maior e um no percurso menor (24km). Portanto, se o sol resolver sair, vai castigar ainda mais. Para os amadores, a divisão do percurso é no km 9,5, mas eles também vão encarar o ‘Tour de France’ na largada e, no km 18, mais ou menos, há outra subida, bem mais íngreme. Depois, tem mais plano, até o final”.

Fera na disputa

Vice-campeã Mundial em 2012, vice-campeã Panamericana em 2013, campeã Brasileira e Mineira de XCM no ano passado. São com esses títulos no currículo que a atleta Raquel Gontijo (Tripp Aventura), de Belo Horizonte, reforça a qualidade dos participantes envolvidos na Copa Leandro Gaudereto. “Juiz de Fora é uma cidade que tem um lugarzinho especial no meu coração. Tenho bons e queridos amigos aí, portanto, é sempre um prazer estar em terras juziforanas. Além do clima e da natureza privilegiados, a organização da No Limits já é motivo mais do que suficiente para justificar uma viagem de 250km para correr uma prova de MTB”, destaca.

Campeã nas duas etapas da Copa Internacional de MTB e na primeira etapa da Copa Big Mais, a representante da capital ainda segue na liderança do ranking Mineiro. “Isso é motivador para eu procurar manter a posição até o fim da temporada. Além de, claro, a Copa Leandro Gaudereto ser um excelente treino para o que vou enfrentar no início de junho, na Wurm Up Brasil Ride, em Botucatu (SP)”.

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