Corrida da Saúde Suprema é adiada por medida de segurança. Organização aguarda comunicado das autoridades locais

* Priscila Oliveira ; Foto de capa: Hugo Keyler

A manhã deste domingo, 26, não foi como o esperado pelos cerca de 1200 participantes inscritos na 6ª Corrida da Saúde Suprema. Programada para ser a prova de abertura do 31º Ranking de Juiz de Fora, o evento foi cancelado quase 1h após os atletas aguardarem, alinhados no pórtico, pela largada dos 10km de corrida e 4km de caminhada. A notícia veio como um balde de água fria nos ânimos do público, que foi convidado a receber medalha e usufruir dos produtos disponibilizados para o pós-prova (frutas, água e achocolatado), mas voltou para casa com o sentimento de dever não cumprido.

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Manhã começou contagiante e contou com público de todas as idades, inclusive crianças (Foto: Hugo Keyler)

Atual campeã do Ranking, Aline Barbosa (Fac. Granbery/Ed. Física) ainda tenta entender a situação, mas não abriu mão de aproveitar a oportunidade para manter sua planilha em dia. “Fiquei muito surpresa com o acontecido. Imprevistos acontecem – só espero que não vire moda, porque nos organizamos, deixamos de competir fora, com possibilidade de ganhar dinheiro, para participar do Ranking, e somos surpreendidos desse jeito. Mas, como estávamos prontos para correr, nada melhor do que fazer o percurso da prova, que é bom, e com direito à hidratação”, comentou, se referindo aos pontos de água que ainda estavam localizados no trajeto.

Representante da equipe TPM, Jacqueline Aparecida da Silva se preparava para estrear na prova. “Ia ser minha primeira Corrida da Suprema. Para mim é uma decepção muito grande, porque a gente se dispõe a levantar cedo num domingo, para chegar aqui e ter essa frustração. Com certeza acabou com o dia de todo mundo. Essa prova já tinha sido adiada (do dia 12 para hoje), agora acontece esse transtorno e nem sabemos o que esperar das próximas do Ranking. Sem falar que ainda recebi meu número de peito com o nome de outra pessoa na entrega de kit”, ressaltou.

Moradora do bairro Jóquei Clube, na Zona Norte da cidade, Talia Costa Silva (Monte Sinai) não escondeu o desapontamento. “Fiquei um pouco chateada, porque a corrida já tinha sido adiada e muita gente acabou deixando outros compromissos de lado. Eu e meus colegas acabamos de sair de um plantão, passamos a noite inteira trabalhando e viemos direto para cá. Eu ainda tenho uma filha que precisa de amamentação… É um desrespeito com todo mundo. Até entendo que a organização não tenha culpa, mas eles também precisam olhar nosso lado. Isso desestimula os atletas. Tem gente que ia correr pela primeira vez e já começa achando que as corridas são uma bagunça”.

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Atletas permaneceram alinhados para a largada por quase 1h até a confirmação de que não haveria mais prova (Foto: Hugo Keyler)

Palavra do organizador 

Responsável pela organização do evento, a cargo da VidAtiva Consultoria Esportiva, Lucas Leite fez questão de esclarecer o ocorrido. ”A Settra, por medida de segurança, resolveu cancelar a prova, alegando que tinha pouca sinalização por parte da organização. Porém, realizamos essa corrida pelo sexto ano consecutivo e tomamos todos os cuidados dos anos anteriores. Acredito que, com o aumento do movimento no entorno da corrida, pelas casas noturnas que surgiram, isso tenha prejudicado e alarmado a situação. Chegamos a propor algumas alternativas, como diminuir o percurso e reduzir a sinalização da parte por onde a corrida não ia passar, mas a decisão do agente responsável pela Settra foi soberana. Para não colocar a segurança de ninguém em risco, essa realmente foi a melhor decisão”, ponderou.

Segundo ele, o trabalho agora é para que as melhores medidas continuem sendo tomadas. “Ninguém saiu mais prejudicado do que a gente dessa situação. Atleta nenhum. Toda estrutura tem um custo. Se tivermos que refazer o evento, esse custo é redobrado, mas vamos analisar quais serão os próximos passos. Provavelmente, a prova vai ser remarcada. Também vamos fazer a devolução do dinheiro para quem tiver interesse. Não queremos que ninguém se sinta lesado com esse acontecimento”.

Atletas esperançosos e expectativa por pronunciamento

Veterano entre os atletas locais, Gilberto ‘Giba’ de Mello (Super Amigos) saiu em defesa dos organizadores. ”Acompanhei toda a conversa deles com a Settra. Fizeram todo o possível, mas o agente de trânsito foi irredutível sobre essa questão de segurança, pois ainda tinha evento numa casa noturna e o trânsito ia ficar complicado. Também alegaram que tinham outros eventos para cobrir ainda de manhã e foram embora. A meu ver, nas próximas corridas, é preciso procurar saber se tem algum outro evento por perto, para não interferir na prova. Não adianta transferir esse evento para outra data, se na outra data tiver uma festa próximo, ou até outra corrida na região”, ressaltou.

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VidAtiva promete reembolso aos atletas interessados e avalia possibilidade de nova data (Foto: Hugo Keyler)

Nesse mesmo sentido, a corredora de Três Rios, Andréa Dias (Vem Pra Rua TR), lamentou ter deixado de participar de outra prova, mas aguarda a melhor definição para o caso. “Gastamos gasolina, pedágio e deixamos de correr o Circuito Desafio, que já estava marcado há mais tempo, em Petrópolis (RJ). Como calhou da Suprema ser adiada para o mesmo dia, preferimos vir para cá. É frustrante, ficamos chateados de não ter corrida, mas é uma coisa que não tem como controlar. Não estava a cargo da organização. Se a prova tivesse largado sem segurança, alguma coisa ruim poderia ter acontecido. Fica chato para o nome da Suprema, para a VidAtiva, que sempre fez corridas legais, mas espero que eles consigam encaixar a prova numa data que não prejudique o calendário, nem daqui, nem das outras cidades”, enfatizou.

Em seu site, a Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde – Suprema lamentou o “adiamento da corrida e, como integrante do Ranking de Rústicas da PJF, aguarda a manifestação das autoridades”. Até o fechamento desta matéria, a Secretaria de Esporte e Lazer apurava os fatos e se preparava para lançar um comunicado oficial sobre o assunto.

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