Corrida e resfriado

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Imagem: Reprodução / O2 por Minuto

A gripe é um processo infeccioso, normalmente desencadeado quando seu corpo apresenta baixa resistência imunológica. Por isso, quem corre precisa dedicar atenção em dobro à alimentação. O exercício envolve um alto gasto energético, enfraquecendo o organismo que não estiver devidamente preparado. Além disso, é preciso levar em conta as alterações na temperatura do corpo, que acontecem durante o treino, e as variações de clima que se apresentam a quem pratica esportes ao ar livre.

Muitas pessoas acham que o treino ajudaria a desintoxicar o organismo, contudo, muita atenção: uma doença é sinal de que o corpo está frágil e precisa poupar energia para combater os micro-organismos causadores do problema. O efeito preventivo das atividades físicas, entretanto, não deixa dúvidas. Um estudo recente, publicado na revista do “American College of Sports Medicine”, constatou que o exercício, quando praticado com regularidade e num ritmo agradável, diminui as chances de surgirem infecções.

Mas, os exageros fazem o inverso. Os corredores que treinam de maneira árdua estão mais suscetíveis a gripes e problemas respiratórios. A explicação para essa aparente incoerência está num aminoácido chamado glutamina, presente no tecido muscular. Consumida pelo corpo durante o treino, ela também alimenta os leucócitos (células de defesa imunológica).

A saída para garantir apenas o bom efeito da atividade física é a moderação ou, no caso dos atletas de alto rendimento, a suplementação, que pode suprir essa carência, diminuindo as chances de doenças como gripes e resfriados.

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Imagem: Reprodução / Clube de Corrida Formacco

Já é comprovado por inúmeros estudos que os exercícios regulares estimulam a produção de citocinas, imunoglobulinas e das células chamadas “natural killers”. Elas, como o próprio nome em inglês diz, são definidas como assassinas naturais, pois tem a capacidade de reconhecer e matar células tumorais. A atividade física regular e moderada regula o sistema imunológico, fazendo com que ele fique preparado para resistir a infecções. Já os treinamentos intensos, e sem um cuidado maior, debilitam as defesas do organismo humano.

Não há, necessariamente, correlação entre resfriados e corrida. A atividade física pode predispor à uma infecção respiratória se houver uma combinação como, por exemplo, muito exercício, má alimentação e pouco repouso. A infecção pode ser favorecida, ainda, por condições climáticas adversas e alta intensidade de treino. Para quem não é atleta de alto rendimento e pratica atividade física com foco na saúde, o melhor é esperar a infecção ser curada para retornar à rotina de exercícios. A garantia é de uma recuperação mais rápida e de treinos mais produtivos.

Prof. Pedro Paulo Duarte Souza
Especialista em Treinamento Esportivo pela UFMG
CREF 008002-G/MG, Tel:  (32) 9982-9309
personal.pedro.paulo@gmail.com
* Fontes: Amercian Colege of Sports of Medicine e Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte
** Colaboração: Mônica Menon Miyake, otorrinolaringologista e doutora em Ciências Médicas pela USP

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