De 6km a 42km: Juiz-foranos enfrentam corrida de montanha no Deserto do Atacama

* Reportagem: Priscila Oliveira ; Foto de capa: Arquivo pessoal / Débora Santos

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Mountain Do Deserto do Atacama (Foto: Divulgação)

Corrida de montanha criada no Brasil em 2004, com o objetivo de integrar as corridas populares de rua e as tradicionais provas europeias dos Alpes suíços, italianos e franceses, o Mountain Do, ou simplesmente “MD”, deixa as cidades frias da região Sul do país (como Campos do Jordão – SP, Canela – RS e Praia do Rosa – SC) para mais uma edição da etapa que lhe garante visibilidade internacional: o MD Deserto do Atacama. Marcado para este domingo, 07, com disputas de 42km e 23km, além de uma corrida comemorativa de 6km, o evento promete muitas aventuras em San Pedro do Atacama, no Chile, onde um grupo de atletas juiz-foranos está prestes a realizar uma das maiores experiências esportivas de suas vidas.

Alessandra Brun, Carlos Brandão, Cláudio Scaldini, Débora Santos, Denise Menezes, Eduardo dos Santos, Eumar Werneck, Gerson Silveira, Giovana Caruso, Luciana Bellini, Márcia Coelho, Marcos Pereira, Neuza Marsicano, Suzana Lutterbach e Valéria Martins são os representantes locais no desafio, que, segundo a organização, é formado por terrenos variados (asfalto, dunas, estrada de chão, trilha e areia), numa integração perfeita não só entre o homem e a natureza, mas deles com a comunidade chilena.

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Débora Santos na XC Run Búzios 2014 (Foto: arquivo pessoal)

‘Friozinho na barriga’

Com três anos de corrida e quarta colocada geral feminino no 28º Ranking de Juiz de Fora até a etapa da Mercedes-Benz, Débora Santos (Clube Bom Pastor) enfrenta sua segunda maratona (a primeira foi a do Rio de Janeiro, este ano), ao mesmo tempo em que estreia no circuito internacional. “Na verdade, eu nem sabia que existia essa prova. Alguns amigos começaram a pensar na possibilidade de irmos para lá, e fui ficando interessada também. Não sei por que escolheram essa corrida no Atacama, mas me interessei pelo desafio que ela oferece, pelas condições únicas que iremos encontrar, pelo próprio relevo, clima etc., que são peculiares da região. Juntando a tudo isso, vi uma oportunidade de participar de uma prova como essa, devido às companhias e ao bom momento em que estou. Achei que era uma boa hora para fazer isso”, revela.

Única representante feminina do grupo juiz-forano nos 42km, a curitibana de nascença acredita que a boa atuação em corridas “cross country” recentemente – a exemplo do 4º lugar geral e do campeonato na faixa 40-44 da Night Run 21K do XTerra Estrada Real (Tiradentes), e da 3ª colocação geral na dupla com a colega de equipe Patricia Romanelli na XC Run Búzios -, pode levar a bons resultados ou, principalmente, a muitas “novidades”. “Dá um friozinho na barriga, pois é um percurso bem diferente, com o clima muito seco, grande altitude, terrenos onde nunca botamos os pés. É tudo muito novo e talvez seja esse ‘novo’ que desperta tanta vontade”.

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Carlos Brandão (Foto: arquivo pessoal)

Atleta-professor cheio de dicas

Quem também disputa sua primeira corrida fora do Brasil, mas tem experiência de sobra em provas longas, é o treinador Carlos Brandão. “Já fiz maratona em asfalto, ultramaratona ‘trail run’ e decidi treinar meu corpo no deserto, pelo desafio. Vou simplesmente correr e ver como meu corpo vai responder, porque não faço a menor ideia de como vou me comportar, se vou sentir a altitude, a umidade baixa… Mas a meta é completar pelo menos dentro do limite, que são 6h15min”, antecipa.

Sobre os cuidados que os participantes devem tomar nesse tipo de corrida, o professor faz uma lista. “Levar um spray nasal com ação umidificante, no caso do nariz sangrar; protetor solar e óculos, por causa da claridade; um boné que tenha protetor nas orelhas e nuca também é interessante. Antes da prova, é bom dar preferência aos carboidratos, evitar carne vermelha, frituras e gorduras. Durante, ingerir gel de carboidratos que contenham um pouco de proteína, levar cápsula de sais minerais para ajudar a não ter câimbras, desidratação e em caso da pressão cair, devido ao calor. Alguns levam bananadas, paçoca, sal grosso. Depois, é ingerir bastante líquido e comer coisas leves”.

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Suzana Lutterbach (Foto: arquivo pessoal)

Depois da República Dominicana, que venha o Atacama

Quinta colocada com direito a pódio numa corrida de 10km na República Dominicana em 2012, Suzana Lutterbach (Tri Runner) também estreia na corrida, mas não no Atacama, para onde já viajou pelo menos outras cinco vezes. “Amo o Chile, conheço tudo por aqui. Ano passado, correndo o Desafio da Serra, estava treinando muito, terminei muito bem, em 3º lugar, e conheci uma pessoa que comentou sobre essa prova. Fiquei muito animada, comecei a falar com os amigos, um foi falando para o outro e a turma foi só crescendo. O que me motivou foi exatamente esse desejo que o corredor tem, de buscar novos desafios sempre, de querer se superar cada vez mais”, enfatiza.

Porém, ela está prestes a correr 6km, e não a quilometragem que gostaria. “Estou vindo de uma lesão feia na perna, que me fez diminuir o ritmo de treinos. De qualquer maneira, as amigas insistiram e vim, muito por conta delas também. Correr no deserto é sempre um desafio. Aqui está muito quente. Estou em Santiago, imagina em San Pedro do Atacama…”.

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“Dona Neuza” Marsicano (Foto: arquivo pessoal)

De olho na faixa etária

O trajeto curto também é o percurso de Neuza Marsicano (Hyperion Running), que já participou dos 10km da Maratona de Buenos Aires (Argentina) e está prestes a completar a oitava incursão pelos 15km da Corrida Internacional de São Silvestre. Acostumada a bons resultados por faixa etária, “Dona Neuza”, como é carinhosamente conhecida nas rústicas juiz-foranas, está certa de seus objetivos na prova.

“Decidi fazer essa corrida no Atacama por ser um grande desafio, que envolve natureza, saúde, companheirismo e aventura. É mais uma experiência surpreendente e inesquecível. Lindas paisagens, aridez, oásis, vida… Enfim, um cenário inspirador. Fiz um treinamento específico de fortalecimento, orientada pelo professor Fábio Caliaro (colunista de “Fitness” do Rumo Certo), além de boa alimentação e avaliação cardiológica. Espero correr o percurso todo de 6km para ficar bem classificada”, antecipa.

Para finalizar, ela resume o que o Mountain Do Deserto do Atacama representa com a seguinte reflexão: “Correr é amor, momento que falo com Deus, superação”.

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