Líder no circuito nacional, atleta de Piau se prepara para Mundial do XTerra

* Priscila Oliveira; Fotos: Divulgação/XTerra e Spartan Race

antonio xterra - arq pessoal

Conseguir vaga na etapa do Havaí era um dos projetos de Antônio Gonçalves para esta temporada

O ano de 2017 começou com metas bem definidas pelo atleta Antônio Gonçalves (Apuã Vertical/ Quadrante Imóveis/ Ipê Mall), de Piau: vencer o circuito nacional do XTerra e, a mais importante, conquistar o título Mundial da competição, que é considerada o maior festival de esportes off-road do planeta. No meio do caminho, a oportunidade de marcar presença em outro desafio internacional, o Mundial da Spartan Race, trouxe maturidade e experiência para fazer bonito em seu principal objetivo nesta temporada.

Com vitórias nas etapas Camp Ibitipoca (Conceição de Ibitipoca), Vale do Aço (Ipatinga), Camp Bahia (Barra Grande, BA),  XTerra Brazil (em Ilhabela, SP), Camp Ouro Preto (Ouro Preto), Costa Verde (Mangaratiba, RJ) e Rota Imperial (Pedra Azul, ES), o corredor, de 27 anos, acumula 475 pontos na categoria Half Trail Run, voltada para percursos de pelo menos 21km. Com essa marca e vantagem de 177 pontos sobre o segundo colocado, o título nacional já está praticamente garantido. “Eu tinha vontade de participar do Ranking do XTerra há alguns anos, por ser provas de longa distância e em vários lugares do país, mas só consegui patrocínio no ano passado. Meu sonho já era ganhar esse circuito e as vitórias foram surgindo a cada prova. Na soma geral, tenho 99% de chances de ser campeão e essa é a realização de um sonho”, revela.

Vencer Ibitipoca acometido por uma virose, ter em Ipatinga a melhor corrida do ano até aqui, encarar uma viagem desgastante até a Bahia e levar o título de Ouro Preto com grande vantagem são apenas alguns momentos que Antônio destaca como especiais. “Minha principal prova era Ilhabela, para me classificar para o Havaí. Como também venci, tentei ganhar o Ranking o mais rápido possível a partir de lá, para abrir vantagem e me preparar com calma para o Mundial”.

Primeiro Mundial

Já em solo americano, mais especificamente na cidade de South Lake Tahoe (Califórnia), os dias 30 de setembro e 01 de outubro marcaram a estreia de Gonçalves em disputas estrangeiras. “Na primeira prova da Spartan Race, que era individual e de 27km, o percurso era muito duro, com 2.400m de altitude, várias subidas e descidas de morro, e obstáculos muito pesados. Tinha saco de areia, balde de brita, pneu de trator etc., mas o mais pesado era um lago com 6ºC, que tínhamos que atravessar. Meu corpo travou, comecei a me afogar e fui ajudado por uma salva-vidas, mas descobri que só tinha duas opções: completar ou desistir”, lembra.

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Em um dos obstáculos da Spartan Race, nos EUA, atleta carregou baldes de brita

Competitivo assumido, ele enfrentou a friagem e um princípio de hipotermia, não abrindo mão do desafio. “Pensei: ‘Eliminado, nem morto!’. Graças a Deus consegui completar a prova. Esse não era meu objetivo, porque eu queria brigar pelo título, mas fiquei muito feliz com o resultado. Gastei 03h57min e fiquei em 127º lugar na colocação geral entre quase mil pessoas”.

No domingo, a batalha era de 14km pelo chamado “#TeamBrazil”, espécie de Seleção Brasileira formada por Antônio, a paulista Samanta Maximo e o carioca Thiago de Sá. “A gente já estava desgastado. Tinha que subir morros de novo, mas não tinha mais o lago, graças a Deus! Mesmo com o cansaço, tentamos fazer o melhor possível e conseguimos ficar em 15º por equipes. Saímos de lá com experiência de Mundial, sabendo que não é fácil e que voltamos para o Brasil mais fortes do que chegamos aos Estados Unidos, porque tudo era muito difícil”, enfatiza.

Rumo ao Havaí

Em contagem regressiva para o Campeonato Mundial do XTerra Trail Run, marcado para o dia 03 de dezembro, em Kualoa, no Havaí, o atleta mineiro faz do aprendizado passado uma ferramenta para chegar ao topo do pódio e realizar outro grande sonho. “Continuo fazendo uma preparação especial para essa competição. Ia participar do XTerra Juiz de Fora como treino antes da viagem, mas, com o cancelamento da etapa, estou procurando outra prova de 21km, que seja ideal. Foco no Havaí! A intenção é chegar lá 15 dias antes, para treinar com calma e me adaptar ao clima”.

Como não poderia ser diferente, o objetivo de Gonçalves está mais do que traçado. “Espero fazer uma boa prova. Vou tentar ganhar e trazer esse título para o Brasil. Já ganhei tantas etapas aqui este ano, por que não ganhar essa também?”, finaliza.

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