Dia das Mães no esporte: O que elas dizem sobre primeira gestação, desafio dos filhos e relação com os netos

* Priscila Oliveira

Seguindo a tradição, este segundo domingo de maio, 14, é o Dia das Mães. Essa é mais uma daquelas datas que mereciam ser comemoradas rotineiramente, afinal, gerar e zelar pelos filhos é um feito e tanto na vida de uma mulher. Existem aquelas que já passaram por essa experiência e agora encontram nos netos a oportunidade de conservar o lado materno de forma praticamente ‘redobrada’; para outras, cuidar dos rebentos é e sempre vai ser uma espécie de ‘missão’; e, entre várias outras, também existem aquelas que estão prestes a viver esse momento tão sublime pela primeira vez, com o bebê ainda na barriga.

Pensando nisso, elencamos três representantes de Juiz de Fora, diretamente envolvidas com o esporte, para compartilhar as alegrias e desafios que ser mãe, avó ou ‘marinheira de primeira viagem’ trazem no dia a dia. Histórias de superação, cumplicidade e, acima de tudo, amor incondicional pelas gerações formadas através delas.

Avó: mãe duas vezes

Com dois filhos e um casal de netos, Sônia Rezende é figurinha carimbada em meio à torcida das corridas de rua na cidade, especialmente as infantis. Matriarca da atleta Cristiane Rezende, ela não mede esforços para dividir a maior parte do tempo com os os pequenos Júlia e Igor, de 12 e 6 anos, respectivamente. “Tenho 58 anos e lido com os netos como se fossem meus filhos. Ensino, ajudo a fazer dever, levo para o colégio, acompanho nas atividades físicas etc. Mimo, mas ensino os dois a terem responsabilidade. Participo de tudo, pois adoro estar com eles. Me sinto muito bem”, destaca.

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Sônia Rezende, a filha e o genro, Cristiane e Samuel, e a paixão por cuidar dos netos, Júlia e Igor

Para a neta e corredora mirim, Júlia, contar com o apoio incondicional da mãe e da avó em suas maiores paixões não tem preço. “Gosto de tudo na minha mãe, principalmente porque ela me apoia muito em tudo o que eu queira fazer no esporte. Meu sonho é fazer um Ironman, e ela me incentiva demais. Já minha avó, torce tanto por mim nas coisas que gosto de fazer e treinar, que fico muito feliz. Sou grata às duas por me apoiarem, torcerem por mim e me ajudarem a fazer tudo o que realmente gosto”.

Missão: ajudar os filhos a superar limites

Aos 43 anos, a corredora Janete de Freitas se orgulha por ter dado à luz dois filhos: Rodrigo, de 21 anos, e Ricardo, de 20. Nas corridas pela região, ela não só se destaca individualmente como também é um exemplo de garra ao incentivar que o primogênito, com necessidades especiais, encontre no esporte uma excelente ferramenta de socialização ou, como ela mesma gosta de destacar, ‘aceitação’ pela sociedade. “Tive duas gravidezes tranquilas, com partos normais, mas só percebemos que tinha alguma coisa errada porque, mesmo com a diferença de 1 ano, o desenvolvimento dos meninos era muito diferente. Enquanto o mais novo engatinhava e já estava começando a andar, o mais velho nem sentava. Morávamos em São Paulo e passamos por vários médicos até descobrir que, por falta de oxigênio na hora do parto, o Rodrigo tinha um ‘espaço’ no cérebro que dificultaria a coordenação motora e a fala”, lembra.

janete e filhos

Janete Freitas, os filhos Ricardo e Rodrigo (com quem acredita viver uma ‘missão’), e o marido, Paulo

A corredora recorda a busca por instituições que pudessem oferecer um tratamento diferenciado ao filho, como AACD e Pestalozzi, na capital paulista. Chegando a Juiz de Fora, para ficar mais próxima à família do marido (Paulo), começaram novos desafios, entre eles, a vida escolar de Rodrigo, por falta de estrutura adequada às crianças especiais nos colégios locais. “No começo ele fazia fisioterapia, hidroginástica e equoterapia, mas essas atividades deram o resultado que podiam e precisamos fazer de tudo para ele não ficar em casa parado. Para ter essa interação, o inserimos na corrida, pois eu sempre pratiquei esporte. O principal e mais complicado é as pessoas aceitarem os deficientes”.

Prestes a se tornar avó, Janete reforça que todo esse processo foi muito longo até encontrar a ALAE, onde Rodrigo recebe um tratamento muito bom e vem melhorando a cada ano. Em família, a satisfação é enorme. “Ainda estou me acostumando com essa ideia. Meu marido fala que vou ser uma ‘mãe-vó’. Os meninos se dão super bem, e o Rodrigo é o xodó da casa. O Ricardo nem tem ciúmes; pelo contrário, o irmão é a paixão da vida dele também, mas vai ser um tio ciumento. Penso que tenho essa missão de estar com o Rodrigo, mas, ao mesmo tempo, acredito que ele é quem tem uma missão a cumprir aqui na Terra, e fui escolhida para ajudar nessa passagem”, revela.

ligia romano filipin e gravidez - montagem

Lígia Chagas, o marido ‘Filipin’ e a mãe, Regina. Todos aguardando a chegada da pequena Yasmin

À espera de uma ‘princesa’

Há dez anos e meio compartilhando o amor com Filipe Chagas, com quem também divide a paixão pelas corridas de rua e é casada desde 2014, Lígia Romano, de 30 anos, se prepara para aproveitar o primeiro Dia das Mães de sua vida, porém, com o bebê ainda na barriga. Grávida há 27 semanas e prestes a completar sete meses de gestação, ela agradece a Deus por essa oportunidade tão sublime – um momento planejado, aguardado e vivido com muita expectativa. “Fomos presenteados com a nossa princesinha Yasmin e tudo está mudando nas nossas vidas. No meu caso, fiquei mais observadora, passei a pensar em cada detalhe de como vai ser quando ela estiver aqui e diminuí minha rotina de treinos, embora a médica não tenha proibido nada e eu esteja apenas modificando os exercícios para não deixar de fazer atividade física. A ideia é continuar até oito ou nove meses, com atividades que ainda me auxiliem na hora do parto”, pontua.

Esse momento é acompanhado de perto por sua mãe, Regina Campisse, com quem pode contar sempre. “Ela está doida para ter a segunda netinha. Ficou muito feliz quando soube da gravidez e faz de tudo para que eu me sinta sempre bem; está babando e me paparicando ao máximo. A ideia é que a Yasmin fique com ela quando nascer, por causa do nosso trabalho. Vai ser um contato muito direto e tenho certeza de que minha mãe vai nos ajudar muito”.

Já a estreia nessa data tão especial também é considerada um privilégio. “Por ser meu primeiro Dia das Mães, me sinto uma pessoa muito especial. Toda menina sonha com esse momento – acho que somos predestinadas a isso desde pequenas. É a realização de um sonho e me sinto madura, preparada e muito feliz. Por enquanto ela está na minha barriga, mas, ano que vem, estará aqui, trazendo muita felicidade para as nossas vidas, das nossas famílias e amigos. Só temos que agradecer a Deus por essa oportunidade”, conclui Lígia.

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