Em recuperação de cirurgia na coluna, mesatenista Alexandre Ank anseia voltar às corridas de rua

* Priscila Oliveira ; Foto de capa: Hugo Keyler

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Juiz-forano é referência no tênis de mesa paralímpico, onde já conquistou vários títulos importantes (Foto: arquivo pessoal)

Reconhecido nacional e internacionalmente no tênis de mesa paralímpico, o atleta juiz-forano Alexandre Ank, de 37 anos, ganhou ainda mais prestígio entre os entusiastas das corridas de rua quando decidiu conciliar sua já consagrada trajetória esportiva com as provas do Ranking de Juiz de Fora, no ano passado. Foi invicto nos nove percursos que disputou, sendo campeão da categoria Cadeirante. Afastado do circuito local nesta temporada, por conta de uma cirurgia na coluna, ele tranquiliza os colegas que tem sentido sua ausência e se prepara para retornar à modalidade tão logo esteja recuperado.

“A cirurgia já estava programada, mas precisou ser adiada por causa de algumas competições importantes que tive que cumprir no tênis de mesa, como o Campeonato Sul-Americano, em dezembro, no qual fui campeão individual e por equipes, na Costa Rica. Para a minha infelicidade, adquiri uma bactéria no quadril, precisei passar por uma raspagem e tomar medicação na veia para eliminá-la do meu organismo primeiro, em janeiro. Somente em março pude fazer a cirurgia na coluna para retirar um haste de 20 centímetros, que soltou alguns grampos e começou a me machucar, ferindo uma das vértebras, me causando muita dor e prejudicando imparcialmente no dia a dia. Isso não foi devido à corrida, mas por causa de um tombo que tomei jogando o Parapan-Americano em 2015, no Canadá”, revela.

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Após vice em Brasília, Ank venceu em Maringá e se tornou líder do ranking nacional (Foto: arquivo pessoal)

Desde então, paciência, recuperação e fortalecimento tem sido suas principais ferramentas para reencontrar o caminho das vitórias. No tênis de mesa, os treinamentos foram reduzidos, mas as competições continuam. O esforço já está sendo recompensado na Copa Brasil de Tênis de Mesa, onde Ank foi vice-campeão da etapa de Brasília (DF) apenas 50 dias após a intervenção cirúrgica, em abril, e venceu a disputa em Maringá (PR), no mês passado, retornando ao topo do ranking paralímpico nacional pela Classe IV, voltada para atletas paraplégicos. “Meus próximos objetivos são: me classificar para o Parapan-Americano, manter o título Sul-Americano, buscar medalhas no Mundial, nos Estados Unidos, em dezembro, que vai ser muito importante para a minha carreira, visando as Paralimpíadas de Tóquio, e retornar às corridas de rua, após recomendação de seis meses ‘na geladeira’, para não forçar demais as costas. Quero conseguir completar as provas e, quem sabe, trazer novos resultados importantes nas rústicas de Juiz de Fora. Para mim, vai ser uma felicidade muito grande poder voltar a participar e, se puder vencer, melhor ainda”.

Carinho pela corrida 

Como paratleta das corridas e a bordo de sua handbike, Alexandre teve a oportunidade de viver experiências inéditas, o que aumenta ainda mais o entusiasmo para voltar às competições, o que deve acontecer em setembro. “Participar das rústicas foi muito bom e agregou valor à minha carreira, para divulgar melhor meus patrocinadores, além de conquistar novos resultados. Consegui me fortalecer mentalmente e fisicamente para as competições no tênis de mesa, onde também alcancei marcas muito importantes. O mais bacana foi conquistar o 1º lugar na Corrida da Fogueira no ano passado com o tempo de 27min17s, porque, como a gente sobe e desce a Avenida Rio Branco, foi um desgaste muito grande. A pedalada final, da Santa Casa até a linha de chegada, na Praça do Bom Pastor, foi pesada”, lembra orgulhoso.

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Das provas que disputou, a bordo de uma ‘handbike’, Corrida da Fogueira foi uma das mais especiais (Foto: Hugo Keyler)

Porém, para ele, o maior prêmio que o esporte lhe ofertou vai além de qualquer título. “As novas amizades, o ciclo de pessoas com quem passei a conviver, sendo deficientes ou não, e o que aprendi com a história de vida, do dia a dia e de superação de cada um para estar ali, participando da corrida ou fazendo caminhada. O mais importante, o valoroso mesmo, é participar”.

*Alexandre Ank é patrocinado por Suprema, Fripai, AABB-JF, Fenabb, EFM Logística, Hiperrol e SR Mampituba-SC.

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