Handebol Tupi se prepara para torneio feminino com equipes brasileiras, da Argentina e Uruguai

* Reportagem e fotos: Priscila Oliveira

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Equipe do Tupi para a 1ª Copa Independência (Foto: Divulgação / Tupi)

Elas começaram o ano vencendo a 1º Copa Struttura e sendo campeãs da 2ª Copa Espeto e Cia., em Juiz de Fora, mas foi a conquista do terceiro lugar no Torneio Interestadual, em Baependi, no Sul de Minas, que alavancou um convite (com parte das despesas pagas) para que as atletas da categoria adulta do Handebol Tupi disputem, de 05 a 07 de setembro, a 1ª Copa Independência, em Brasília (DF). Além de ser a única representante mineira na competição, a equipe tem a missão de enfrentar outras cinco representantes brasileiras e se sobressair entre adversárias da Argentina e do Uruguai para chegar ao título.

Pensando nisso, o treinador Luiz Alonso, responsável pela modalidade no clube carijó há dezesseis anos, intensifica os trabalhos a cada dia, sempre em busca do melhor resultado, porém, independente da disputa. “As meninas estão treinando muito, mas, ao mesmo tempo, estamos bem tranquilos, porque prezamos principalmente pela união e bem-estar do grupo. Trabalhamos o psicológico, o fisiológico e tudo o que for preciso para chegar bem às competições. Apesar de ser o primeiro, esse torneio é de alto nível e traz uma experiência nova para nós, por causa dos times internacionais. Mesmo assim, vamos entrar com a rivalidade à flor da pele, para ganhar”.

Experiência de pivô

Considerada a melhor pivô de Juiz de Fora, Amanda Ribeiro, de 25 anos, chegou ao time no início do ano e já é umas das principais responsáveis por auxiliar o técnico no desempenho das atletas dentro de quadra. “A gente consegue resolver muita coisa na hora do jogo, porque a pivô está de costas para o gol, de frente para as jogadoras e vê tudo o que elas estão fazendo. Por isso, dá para dar dica, falar alguma coisa e ajudar as meninas. Se o time não tem uma pivô, uma central não consegue jogar, a armadora direita não consegue jogar sozinha – a não ser que ela pegue a bola, coloque debaixo do braço e saia correndo… Não tem como”, brinca.

Para a jogadora, que começou a praticar o esporte por incentivo do professor Fernando Maciel, da Escola Estadual Clorindo Burnier, há quinze anos, esse destaque na posição “é coisa que os outros falam”, pois ela mesma não se vê assim.

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Amanda Ribeiro e Rafaela Machado

“Eu jogo com bloqueio e contra-ataque. Por exemplo: as meninas fazem a fita, eu seguro e elas passam. Mas tem pivô que é muito boa de cair em espaço vazio. Joguei o Brasileiro há dois anos, pelo Vianna Jr./ADJF (Associação Desportiva de Juiz de Fora), e isso me deu uma experiência muito boa. Ver as atletas da Seleção Brasileira em quadra, jogar contra elas e ter que marcar facilita muito.  Elas não tem medo de ‘ir para cima’; se o jogo apertar, elas continuam ali. O desempenho, a força de vontade delas de jogar e de ganhar me marcaram muito, peguei isso para mim”.

Organizadora do time

No Tupi há cinco anos, a capitã Rafaela Machado, 23, também é um dos braços direitos do treinador. “Muitas meninas trabalham, outras estudam, então, para organizar o time é meio complicado. Mesmo assim, criamos uma grande união no grupo. Se doer em uma, dói em todas. É muito legal. O time está bem, unido demais, treinando junto, fazendo tudo direitinho e estamos muito confiantes. Provamos do que somos capazes em Baependi e sabemos que podemos ainda mais nessa viagem a Brasília”, antecipa.

Aluna de Educação Física, a exemplo de outras cinco colegas de equipe, a atleta conta como fica a relação com a arbitragem na hora das partidas. ”Às vezes, isso prejudica um pouco porque, se o árbitro erra durante o jogo, a gente já quer ‘discutir’ a respeito disso. Por outro lado, também é bom: se uma companheira se machucar, tem outras pessoas para ajudar”.

Reforços juvenis

Além de jogadoras de outras cidades, o time carijó de handebol encontra nas atletas Gabriela Melo e Bárbara Fernandes (ambas de 17 anos, pivôs e da categoria Juvenil) alguns dos principais reforços para a disputa – uma responsabilidade que é encarada como grande oportunidade de aprendizado.

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Gabriela Melo e Bárbara Fernandes

“As meninas do Adulto sempre confiaram em mim, veem meu esforço e sabem que quero aprender cada vez mais. Joguei com elas no Interestadual, aprendi muito e agora tenho essa chance de novo, graças ao ‘Luizinho’. Estou preparada e muito confiante, venho treinando diariamente para fazer uma boa atuação. Esses times internacionais também são um incentivo a mais porque outras pessoas vão nos ver jogar, ao mesmo tempo em que vamos ver o jogo deles. Isso traz mais experiência. Pretendo jogar fora, chegar à Seleção Brasileira… Vamos ver se tudo dá certo”, revela Gabriela, integrante do time há dois anos.

Bárbara também está confiante. “É muito bom, porque as jogadoras do Adulto tem mais experiência que a gente. Aliás, os dois lados ganham: o nosso e o delas. Comecei a jogar na minha escola, o Tiradentes, mas, depois que a equipe acabou, treinei em outros lugares e vim para cá, há mais ou menos um ano. As expectativas para esse torneio são as melhores, pois a gente vai para ganhar. As outras equipes também são um estímulo a mais, pelo contato com outras atletas. Por mim, não há rivalidade, principalmente com as argentinas. As ‘hermanas’ podem até ser amigas”.

Tudo planejado

Segundo Luiz Alonso, umas das estratégias do Handebol Tupi para conquistar bons resultados é fazer com que cada um dos atletas joguem em todas as posições, além de treinarem com companheiros uma categoria acima da faixa etária oficial.

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Técnico Luiz Alonso com parte da equipe

“Isso facilita muito para o técnico mudar qualquer problema tático, sem mudar o estilo de jogo, se for preciso. Nos treinos, atletas do Cadete jogam com Juvenil; Juvenil jogam Júnior; Júnior, Adulto; e por aí vai. Fazemos isso para que eles já estejam acostumados com o ‘tranco’ que vão pegar quando chegarem na idade. No nosso caso, eles começam a competir com pessoas mais velhas aos 12, 13 anos”, destaca.

Desde que o treinador assumiu o time, as equipes masculinas e femininas já disputaram o JIMI (Jogos do Interior de Minas), foram vice-campeões do Campeonato Estadual, campeões da Copa Sul Mineira (onde o Tupi era o único representante da Zona da Mata entre as cidades do Sul do estado), entre outros. “A gente traz uma bagagem boa, não só eu, como as atletas que estão comigo há mais de dez anos. Dá para ter  um carinho especial pelo grupo e ganhar novas experiências com quem chega ou volta para o nosso time, juntando um pouquinho de cada um e formando uma equipe bem competitiva”.

Até o final do ano, os atletas das categorias Cadete, Juvenil e Adulto ainda percorrem as cidades de Mariana (MG), Cachoeira de Macapu (RJ), São Lourenço (MG) e Baependi (MG) em busca de novos títulos. O Handebol Tupi é patrocinado por Espeto e Cia., Struttura Eventos, Unopar e Renavi Sports, com apoio do Rumo Certo.

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