Ibitipoca Off Road promete disputa acirrada nas motos e carros

* Priscila Oliveira

Quatrocentas e dez motos (novo recorde entre os entusiastas das trilhas) somadas a 65 carros. Esses são os números oficiais do rally de regularidade mais charmoso do Brasil em sua 26ª edição. Competição aguardada durante o ano inteiro por pilotos e navegadores de todo o país, o Ibitipoca Off Road (IOR) acontece neste final de semana, dias 1º e 02 de agosto, reunindo participantes dos mais variados níveis técnicos no já tradicional desafio entre Juiz de Fora e o distrito de Conceição de Ibitipoca, em Lima Duarte. Aquecendo os motores para a disputa, que promete ser ainda mais acirrada este ano, a programação começa nesta sexta-feira, 31, com vistoria e briefing.

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De pai para filho: Manoel e Thiago Resende são os anfitriões do rally de regularidade mais charmoso do Brasil (Foto: Priscila Oliveira)

Coordenador do evento, Manoel Resende destaca o carinho com que foi idealizado cada detalhe, pensando principalmente no conforto e bem-estar dos inscritos, não só nas onze categorias das motos, mas também nas três dos carros. ”Há três anos tivemos uma ideia que funcionou muito bem: dividir a prova em partes, para que os pilotos não cheguem em Ibitipoca à noite. Diminuímos o percurso para os ‘menos experientes’, fizemos o neutralizado em Lima Duarte e, dali para frente, eles andam uns para um lado e outros para outro, chegando quase ao mesmo tempo lá em cima. Isso facilita para eles não ficarem muito desgastados e para, se houver necessidade, conseguirmos resgatar alguém na trilha enquanto ainda é dia”.

A movimentação de competidores em Ibitipoca está prevista para começar por volta de 14h30. Porém, até completar o primeiro dia de desafio, com aproximadamente 180km para as motos e 170km para os carros, essa turma vai ter que mostrar o que sabe. “A prova vai exigir muito do piloto – ele vai encontrar bastante dificuldade, mas nada intransponível. Está tudo muito bem elaborado, exatamente para não haver nenhum transtorno. No caso das motos, Master, Sênior, Over 40 e Dupla Graduado pegam as trilhas mais difíceis, enquanto Over 45, Over 50, Over 55, Júnior, Novato e Feminino também encontram dificuldades, mas um pouco mais curtas. Quando eles chegam pertinho de Ibitipoca, a prova ainda diminui para Novato, Dupla e Dupla Novato”, antecipa.

Ainda segundo Manoel, no segundo dia de disputa, fazendo o caminho inverso, o trajeto promete em média 192km para as motos e 180km para os carros. “A prova de volta é bem difícil de Conceição de Ibitipoca até Lima Duarte. No neutro, até o Bar do Zé, ela também é bem pesadinha, mas depois fica mais suave, que é para todo mundo chegar em Juiz de Fora. Já a prova de carros, feita pelo Weidner Moreira para as categorias Graduado, Turismo e Turismo Light, é bem ‘racional’, com trechos onde vai haver mais dificuldade. Eles vão estar praticamente num circuito fechado, para evitar acidente”.

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Jomar Grecco é o atual campeão Brasileiro e do IOR pela categoria Master (Foto: Erik Araujo / Filhos da Trilha)

Para ser (bi) campeão

Realizando o sonho de ser campeão brasileiro de enduro no ano passado, após uma década de trajetória no campeonato, e em vistas de chegar ao segundo título nacional consecutivo, o capixaba Jomar Grecco (KTM/ Pirelli/ Mutul/ Thor/ Airoh/ Gaerne/ Dragon/ Exceed/ Husby/ Corona/ MR-Pro) volta ao Ibitipoca para alcançar o bicampeonato da categoria Master, representando a equipe Orange BH. “Do ano passado para cá mudou bastante coisa, porque emagreci 13kg. Estou com o corpo mais em forma e melhor preparado. Como ganhei o IOR e essa vitória ainda está recente para mim, ainda estou com aquele gostinho de vitória na boca. Vou defender meu título com unhas e dentes, pois minhas expectativas são sempre as melhores. O Ibitipoca exige muito preparo físico, técnica e de tudo um pouco. É uma prova longa, bastante cansativa, mas estou preparado. Com certeza vou fazer meu melhor e conquistar de novo essa prova, que é muito importante”, antecipa.

Confiante no que precisa fazer para se garantir no enduro mineiro mais uma vez, Grecco não esconde o desejo de transformar o IOR num ‘treino de luxo’ para os desafios que ainda tem pela frente. “Além de ser uma prova à parte, com um título muito almejado por todos os pilotos, o Ibitipoca também é um treino para se manter no ritmo e ficar mais focado para o Campeonato Brasileiro, onde comecei o ano liderando e me mantenho até hoje, apesar de ter sofrido um acidente há três meses. Estava treinando, bati de frente com outra motocicleta e fraturei o polegar esquerdo. Não me recuperei totalmente da lesão, o médico nem me liberou para fazer provas ainda, mas o desobedeci. Com três dias de cirurgia, eu já estava montado na moto, com uma mão só, tentando defender a liderança do Brasileiro. Poderia ser campeão antecipado, mas Deus sabe o que faz; as coisas vem na hora certa. Acredito que vou conseguir vencer este ano de novo. Vou lutar por isso – para ser bicampeão do IOR e bicampeão do Brasileiro”.

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Emerson Loth “Bombadinho”: pronto para vencer (Foto: arquivo pessoal)

De olho no título principal

Campeão brasileiro em 2013 e vice-campeão da categoria mais disputada do Ibitipoca Off Road no ano passado, em sua primeira participação no circuito, o paranaense Emerson Loth “Bombadinho” (ProTork/ OrmaMotos/ Sherco/ Rinaldi/ R2/ 5inco/ Gaction/ Compass/ Fprm) está pronto para dar trabalho novamente. “Estou treinando bastante, principalmente porque estamos na reta final do Brasileiro e preciso de um ótimo resultado. Pretendo buscar o título nessas duas últimas etapas e, de um mês para cá, intensifiquei muito os meus treinos, pensando no Ibitipoca e no Enduro da Independência. Ano passado, no IOR, cometi um erro no finalzinho, mas já superei. Espero andar forte de novo e, se Deus quiser, vencer o Ibitipoca Off Road pela primeira vez”, revela.

Declaradamente empolgado com a competição, Bombadinho também acrescenta novos nomes na disputa. “Fiz bastante propaganda sobre a prova no Paraná e muitos pilotos daqui quiseram ir. Infelizmente, nem todos puderam este ano por conta da distância e dos dias que é preciso disponibilizar para uma prova dessa. Mas oportunidade não vai faltar”.

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Sandro Hoffmann acumula títulos no Brasileiro de Enduro e no Ibitipoca (Foto: Erik Araujo / Filhos da Trilha)

Cheio de elogios e prêmios

Praticamente uma lenda viva do enduro de regularidade nacional, com pelo menos seis títulos brasileiros, além de conquistas em competições de renome internacional, Sandro Hoffmann (Sherco/ MotoFire/ ASW/ Mitas/ R2/ Compass/ MR Pro/ California/ Corona/ Motul/ NGK/ Imagem Adesivos/ Odilom Motos/ No Stop) volta a representar o estado do Espírito Santo no Ibitipoca Off Road, onde acumula oito títulos da categoria Master e um na Over 40, que passou a disputar no ano passado. “Eu estava 100% de saúde física no IOR. Duas semanas depois, numa estradinha boba, que nem era trilha, tomei uma queda sem esperar e tive uma lesão no ombro esquerdo. Faltavam 17 dias para começar a correr o Enduro da Independência (EI), sendo minha primeira vez como piloto da Over 40. Agora em junho fez um ano que não vou à academia, porque fiz tratamento no braço e não tinha condição de fazer exercício físico. Mas ganhei o Piocerá, Transbahia – todas as provas que perdi no ano passado. Já sou (bi) campeão antecipado da Over 40 no Brasileiro, desde junho”, pontua.

Honrado por receber um troféu com seu nome este ano no EI, uma vez que bateu recorde como campeão inédito nas oito etapas, Hoffmann quer superar os próprios limites. “Do ano passado para cá, não estou treinando de moto mais. Eu só vou para a corrida, corro e pronto. No Ibitipoca, quero repetir a dose de 2014 e estou louco para a prova começar porque, mais uma vez, bateu recorde nas motos. Como eu digo, o IOR sempre surpreende a nível nacional. Por isso, estar presente num evento desse e conseguir ganhar uma categoria com certeza é uma grande vitória. O Ibitipoca é um desafio – o único enduro no Brasil com duas planilhas: a dos Master, Senior etc., e a de quem vai para curtir a prova. Essa é a chave de ouro do evento; é uma cartada certeira do Manoel, que é o ‘rei da cocada’, faz a prova top e com brilho total, mas também tem o Thiago, com a cabeça mais jovem. Isso faz o IOR crescer e fica tudo nota 10. No final, está tudo mundo doido para subir no pódio, dar um beijinho naquela medalha e fazer a festa”.

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Késsia Tristão e Laura Nunes estão de volta à disputa pelo troféu entre as pilotos (Foto: Hugo Keyler)

Força feminina

Natural de Muniz Freire (ES) e campeã Feminino das motos no ano passado, a piloto Késsia Tristão (Katana Team) conta o que viveu na última temporada. “Depois que venci o IOR participei do Enduro da Independência, onde fui vice-campeã, e ganhei o Enduro da Polenta, que é uma etapa do Brasileiro de Regularidade no meu estado. No Capixaba não tem categoria feminina, então, corro na Novato, competindo com homens. Agora estou confiante para o Ibitipoca, embora não esteja preparada como eu queria fisicamente. Penso que o que vai ser difícil para mim, vai ser para todas nós. Este ano vai ser mais disputado, já que somos quatro meninas, mas isso acaba deixando o IOR mais desafiador”, avalia, se referindo à capixaba Josiane Kleim, à belo-horizontina Laura Nunes e à juiz-forana Suzana Lutterbach, suas concorrentes diretas na disputa.

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Marreco e Pepê vão com tudo para a categoria Graduado (Foto: Hugo Keyler)

Por mais um pódio nos carros

Repetindo a parceria de sucesso na edição passada, quando quebrou a hegemonia dos conterrâneos Pedro Agrelle e Matheus Mazzei (M8 Rally Club), a dupla formada pelo juiz-forano Pedro Paulo Oliveira, o Pepê, e o paranaense Allan Enz, o Marreco (Posto Central/ Machado da Costa/ Bold – In), nem cogita a possibilidade de deixar o título dos carros pela categoria Graduado. “Ficamos em segundo no primeiro dia e ganhamos o rally no segundo. A dupla campeã vai ser mantida. Este ano estamos com um carro mais atualizado, conseguimos alguns patrocínios e vamos para o Ibitipoca com força total para ganhar novamente. Este ano tem muitas duplas fortes, como as quatro duplas de pilotos campeões de Belo Horizonte. Acredito que o título vai estar até mais disputado dessa vez. Com isso, aumenta ainda mais a vontade de vencer, porque o IOR é muito bom”, declara Pepê.

Para ele, que possui pelo menos vinte anos de IOR e perdeu as contas de quantos pódios já comemorou na prova, a estratégia para terminar vitorioso de novo já está definida. “É andar forte, mas sem quebrar o carro. Ou seja, do mesmo jeito que acelera um pouquinho, você tira um pouquinho o pé também, senão acelera demais e corre risco de quebrar o carro. O negócio é ter cautela e agressividade ao mesmo tempo”.

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