Juiz-forano completa 700 corridas e antecipa: “Pretendo chegar a mil”

* Priscila Oliveira ; Foto de capa: Hugo Keyler/arquivo Rumo Certo

A terceira etapa do Ranking de Juiz de Fora, realizada no último domingo, 15, teve um sabor para lá de especial para o atleta Paulo Henrique Lima. Integrante assíduo e um dos fundadores da tradicional equipe masculina Super Amigos, o técnico em segurança cruzou a linha de chegada do Parque de Exposições com a alegria e satisfação de concluir nada mais, nada menos do que 700 corridas – uma comemoração em dobro pelos 51 anos recém-completados.

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Paulo Henrique Lima, de 51 anos, em seu percurso de nº 700 pelo Acesso Norte, durante a terceira etapa do Ranking (Foto: Hugo Keyler/arquivo Rumo Certo)

“Quando comecei a correr eu estava na escola. Vi que era legal, por ser uma coisa diferente, e comecei a empolgar. Naquela época surgiram algumas corridas com um pouco mais de divulgação e passei a participar. Depois vieram as maratonas e estou aí, correndo até hoje”, conta animado.

Grato pelo incentivo do professor que o iniciou na modalidade, aos 12 anos, o juiz-forano lembra com nostalgia das corridas que fazia durante as aulas de educação física, dando voltas pelo bairro São Mateus. De lá para cá, quase quatro décadas se passaram, deixando uma infinidade de boas histórias na memória. “Me orgulho de ter superado alguns desafios e alcançado algumas metas. Antigamente correr era muito difícil – o pessoal achava a gente doido. Correr em outra cidade, então, era muito complicado. Era uma alegria quando dava para correr em Matias Barbosa, Bicas etc.”.

Entre os muitos lugares que conheceu, a Cidade Maravilhosa tem cadeira cativa nessa jornada. “Logo na minha primeira maratona, no Rio de Janeiro, aos 17 anos, ganhei um prêmio para a Maratona de Nova Iorque. Infelizmente acabei não indo, mas isso me incentivou muito, pelo resultado e porque tive a oportunidade de conhecer o time de vôlei do Bradesco – o Bernard, o Bernardinho e aquele pessoal todo, que era o marketing do organizador da prova”, destaca.

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Atleta é um dos fundadores da equipe masculina mais tradicional de Juiz de Fora. Na foto, durante o Circuito Estrada Real, em 2009 (Foto: arquivo pessoal)

Super Amigos

Paulo Henrique se orgulha, em especial, por representar a equipe com mais títulos entre os grupos locais masculinos. “A Super Amigos faz parte da minha história, desde a época em que a gente corria pelo Granbery. Nossa primeira prova foi a Corrida da Vitória, no dia 08 de abril de 1990. Quando começamos, praticamente só existiam as equipes Paraibuna, Academia March, Casas Fernandes e Tupi aqui”.

Bastante organizado, o corredor guarda em casa os registros históricos dos 28 anos de formação do grupo, além de uma lista completa das corridas que já participou. “Tenho tudo anotado! Tive alguns resultados expressivos: completei a Maratona de São Paulo com 02h48min, em 1991 ou 1992; já fui 4º geral no Ranking; e campeão de faixa etária, dentro e fora da cidade. Só sinto saudade das corridas de bairro. A gente corria no Linhares, Santa Luzia, Milho Branco… Era bem legal, e tinha pódio por faixa etária também, que era bem interessante e incentivava muito os atletas. Hoje isso quase não existe mais em Juiz de Fora”, enfatiza.

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Orgulhoso durante corrida infantil com o netinho, Kauê, de 2 anos, em Senador Côrtes (Foto: Hugo Keyler/arquivo Rumo Certo)

Evolução

Dono de um currículo que inclui 28 maratonas e 50 meias maratonas, Lima ainda aponta uma preferência especial por corridas de montanha. “Correr uma prova de 5km ou 7km é um sacrifício muito grande para mim – nas maiores dá para dosar o ritmo e acho melhor, porque sinto mais a corrida. Dependendo da prova, dá até para dar um ‘susto’ nos corredores mais jovens”. Isso porque, ele acredita que a busca pelo aperfeiçoamento técnico seja uma ferramenta importante. “Já tive vários treinadores, até bem conhecidos. Há cinco anos, tenho uma personal que me auxilia a fazer um reforço muscular adequado e isso tem me ajudado a melhorar o desempenho. Aprendi que não preciso treinar seis vezes por semana – correndo três ou quatro já dá um resultado importante. Isso agregou muita coisa nas minhas competições”, ressalta.

Com uma saudosa passagem pelo Exército, onde também teve oportunidade de correr, o atleta encontra na família e nos amigos o combustível necessário para seguir em frente. “Só tem coisa boa na minha história! O que eu sofri serviu de aprendizado. As amizades me incentivam muito e agora meu netinho também já está fazendo umas corridinhas de 50m. É gostoso ver muita gente participando e o aumento da presença feminina, porque, na nossa época, quase não tinha mulher correndo”.

Avante

Nessa longa trajetória, Paulo Henrique Lima faz questão de se manter em busca de novos desafios. “Meu objetivo é sempre completar uma prova e, quando estou bem, dá até para ‘brigar’ por uma colocação melhor. Tenho uma projeção de chegar a mil corridas, mas isso não é da noite para o dia. Não vou correr 50 provas no ano para inteirar rápido… Pretendo alcançar essa meta em dez ou doze anos – sem forçar a barra; correndo normal! Enquanto eu tiver perna e cabeça (principalmente para as provas longas), vou continuar correndo”, finaliza orgulhoso.

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