Juiz-foranos comemoram participação e títulos nos Caminhões, UTVs e Carros do Rally dos Sertões 2014

* Priscila Oliveira; Foto capa: caminhão Mobil Delvac Salvini Racing (Foto: Divulgação/ Rally dos Sertões)

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UTV de Weidner Moreira no Sertões (Foto: Sanderson Pereira)

“Emoção, velocidade, adrenalina, lição de vida e cidadania”. Essas eram as principais promessas dos organizadores para quem enfrentasse o desafio de disputar mais uma, ou melhor, a 22ª edição do Rally dos Sertões – considerado a maior competição off road do país, realizada entre os dias 20 e 30 de agosto. Tudo começou no estado de Goiás, com largada em Goiânia e primeira parada em Caldas Novas, mas rompeu o município de Catalão rumo a Paracatu, nas Minas Gerais, seguindo por São Francisco e Diamantina até chegar à capital, Belo Horizonte. Mais de 2.600km depois, pilotos e navegadores juiz-foranos, entre eles, Breno Rezende, Fabrício Silva, Luiz Fernando Pugliese, Marcelo Mendes, Matheus Mazzei e Weidner Moreira comemoram não só a superação dos próprios limites, mas suas marcas pessoais e novas histórias para acrescentar à galeria de provas na modalidade.

Um ‘ufaaaaaaa’ até o pódio

Tricampeão do Sertões ao longo de nove participações, tendo dois títulos na categoria Caminhões, onde também já conquistou um 3º lugar e a mesma posição pela L200R, uma vitória na Sherpa, um 4º na Protótipos a bordo de uma L200 EVO, dois abandonos e uma edição como apoio, Weidner Moreira já tinha a receita pronta para mais uma prova de sucesso: “não quebrar, largar todo dia para andar rápido e não correr forte”.

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Henrique Gutierrez e Weidner Moreira no pódio (Foto: Sanderson Pereira)

E foi exatamente isso que ele o piloto Henrique Gutierrez fizeram em busca do pódio dos UTVs. “Tivemos problemas quase todos os dias: capotamos no primeiro, perdemos 7h30 para desvirar e voltar à prova; errei no radar no segundo e tomamos uma punição de 4min42s; capotamos no terceiro; deu tudo certo no quarto; nossos pneus furaram e o macaco não funcionou no quinto; no sexto, arrebentou a capa do câmbio, que é tocado por uma correia, e paramos mais três vezes para trocá-la, por conta de poeira e lama; e, no sétimo dia, mais um furo de pneu. ‘Ufaaaaa’… Assim, chegamos. Foi difícil, mas deu certo”.

Vice-campeão da categoria este ano, o navegador acredita que o Sertões é sinônimo de sobrevivência a cada dia. “Terminamos a 22min08s do líder (Mota e Shimuk) e 17min04s do terceiro colocado. Vou fazendo o melhor que posso. Experiência conta muito – para não dizer velho”, complementa com bom humor.

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Donos dos Caminhões: Fernando Chwaigert, Flávio Bisi e Guido Salvini (Foto: arquivo / Flávio Bisi)

Peso Pesado

Na disputa pela quinta vez, se alternando entre as funções de bicampeão e vice dos Caminhões Pesados, o navegador Flávio Bisi garantiu o pódio da categoria mais uma vez, auxiliando o piloto Guido Salvini e o co-piloto Fernando Chwaigert pela equipe heptacampeã Mobil Delvac Salvini Racing.

“Na verdade, andamos entre Pesados e Leves. Ficamos em 3º lugar na geral e em 1º nos Pesados, numa prova com especiais duras, muito ‘trial’ e muita pedra. Foi bom, mas muito cansativo. Uma edição bem curta e prazerosa de fazer, pois a turma de JF estava bem animada e foi legal, porque o Rally chegou a BH, bem perto de casa”.

Estreando com tudo

Pela primeira vez no Rally e estreando, ainda, como piloto 1 da Suzuki Jimny com o navegador catarinense Luís Felipe Eckel, o objetivo inicial de Marcelo Mendes era se “manter na prova até o final, já que a competição é conhecida pela grande dificuldade de completar”. Realizando o sonho não só de competir o Sertões, mas de representar uma equipe de fábrica, ele encarou a responsabilidade de frente e também garantiu bom resultado na categoria Production T-2.

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Luís Felipe Eckel e Marcelo Mendes em vários momentos da competição (Foto: Route 66 Club – GO)

“Foi nota 1.000.000. Uma equipe maravilhosa… Nosso carro correspondeu a todas as expectativa e conseguimos concluir todas as etapas sem nenhum problema mecânico, o que nos possibilitou disputar um lugar no pódio. Ficamos em 5º e também conseguimos o 16° na geral, que foi muito bom”, comemora, revelando o crescimento da dupla.

“Começamos com um ritmo bem conservador e fomos apertando de acordo com o que fomos aprendendo sobre os limites do nosso Jimny. Teve um dia em que chegamos perto de ganhar a etapa, pois sabíamos que o tempo limite para terminar o trecho cronometrado era pequeno. Já largamos imprimindo um ritmo forte e chegamos com o segundo melhor tempo da categoria”.

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Luiz Fernando Pugliese e Fabrício Silva em Goiânia (Foto: arquivo / Fabrício Silva)

Além das expectativas

Piloto da categoria TR4-T2 com o conterrâneo Luiz Fernando Pugliese, o “Tchutchuco”, Fabrício Silva destaca que a competição superou as expectativas.

“Fomos no intuito de completar todos os dias. O terreno e as dificuldades são bem parecidos com um rally de regularidade – a diferença é que lá não tem limite de velocidade, então, você tem que ter atenção para fazer o percurso no menor tempo sem quebrar o carro. Conseguimos, e ficamos numa boa colocação: 6º, apesar de termos batido um dia. Tudo foi muito marcante, é uma experiência única, indescritível”.

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Matheus Mazzei e André Hort (Foto: arquivo / Matheus Mazzei)

Marcando presença

A exemplo de Mendes, quem também esteve pela primeira vez na principal disputa off road do país foi Matheus Mazzei, que navegou o catarinense André Hort na categoria UTVs. “Ele correu uma vez com o Breno na Mitsubishi Cup, e fomos apresentados no Rally de Barretos. O Sertões foi muito louco, coisa de outro mundo. Estou cansado até hoje… Nosso carro quebrou duas vezes, mas valeu a experiência. Foi top correr o maior rally do país e segundo maior do mundo”.

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Breno Rezende (Foto: Dudu Mazzei)

Já para o amigo Breno Rezende, ansioso pela estreia muito antes do Rally começar oficialmente, o que restou foi um “gostinho de quero mais”. “A expectativa era grande para esse Sertões. No prólogo, fizemos o 3º melhor tempo, mesmo andando 1/3 do trajeto com um pneu furado. No primeiro dia, fomos obrigados a abandonar por problemas técnicos, quando vínhamos 1min10s na frente do vencedor da etapa. Foi frustrante isso acontecer logo na primeira prova”, lamenta o navegador.

Mesmo assim, ele não abriu mão de acompanhar os conterrâneos de perto e antecipa os preparativos para se recuperar dessa edição. “Fui o único de Juiz de Fora a abandonar, mas apoiei os amigos competidores e todos conseguiram bons resultados. Agora, é esperar 2015 e torcer para ter uma sorte melhor. A preparação já começou”.

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