Maratona e Meia do Rio: JF e região celebram exemplos de superação – e títulos

* Priscila Oliveira; Foto de capa: arquivo pessoal / Neuza Marsicano

Em sua décima segunda edição, a Maratona do Rio de Janeiro arrastou uma legião de corredores (26 mil, segundo dados oficiais) de várias nacionalidades pela orla da Cidade Maravilhosa e continua sendo motivo de festa, também, entre os representantes de Juiz de Fora e região. Vencer os próprios limites do corpo e da mente, alcançar uma marca pessoal inédita, motivar outras pessoas, ser motivado por colegas de esporte, realizar um sonho. Esses são apenas alguns dos milhares de motivos que podem ser enumerados pelas centenas de atletas, profissionais e amadores, que tiraram o último domingo, 26, para enfrentar não só os tradicionais 42km da prova, mas a Meia Maratona e a Family Run (6km) oferecidas pela organização.

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Hionara Botti com seu guia nos 42km, Marcelo Montenegro (Foto: arquivo pessoal)

Força da amizade

Entre os milhares de participantes do percurso longo, considerado o mais bonito do Brasil e um dos mais belos do mundo, uma juiz-forana não só se rendeu à uma maratona pela primeira vez como teve motivos de sobra para comemorar. Guiada pelo amigo e conterrâneo Marcelo Montenegro (Clube Bom Pastor), Hionara Botti, 44, cruzou as praias do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana e Flamengo até se consagrar a terceira melhor atleta feminina da categoria Deficiente Visual. “O ‘Monte’ foi um super amigo; aceitou me guiar faltando dez dias para a prova. Não fizemos nenhum treino juntos, mas a experiência dele superou tudo. Ele foi motivando, não só a mim, mas a todos que passavam. Gritava, brincava, ria, dava dicas, puxava… Tudo isso sem perder a atenção no meu caminho. Foi mais que um guia. E, de quebra, chegamos em 05:07, sendo que eu tinha treinado para fazer em 6h. A força dele fez tudo ficar mais fácil e divertido”, comemora a nova maratonista.

Orgulhosa de si mesma, ela esbanja alegria com o feito. “Maratona é uma experiência indescritível. É muito chão. É uma mistura de dor, cansaço e vontade de chegar, mas, ao mesmo tempo, passa um monte de coisas pela cabeça – as dificuldades dos treinos, da vida. É a superação dos imprevistos. Você conhece muitas pessoas durante o percurso que se tornam melhores amigas de infância; um ajuda o outro, não deixando desanimar. De repente, todos querem chegar juntos e começa a esperar o outro. É lindo”.

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Alipio Nicolau venceu uma cirurgia cardíaca e completou a Maratona (Foto: arquivo pessoal / Gedair Reis)

Coração valente

Quem também fez da Maratona um motivo de celebração, mesmo contrariando os conselhos de familiares, amigos e colegas de equipe, foi Alipio Nicolau (SaúdePerformance), 45. Carioca da “gema”, atleta há dez anos e pai de Jhonathan Elias (SaúdePerformance/ Granbery/ Empório Fisiopilates), jovem corredor de Juiz de Fora, ele não se deixou abater pela cirurgia cardíaca que fez há pouco mais de um ano e que lhe rendeu duas pontes de safena, além de duas angioplastias para desobstruir as veias do coração. Cheio de entusiasmo e confiante na escolha que fez, o corredor encarou os 42km como uma grande oportunidade de mostrar o quanto está bem, física e psicologicamente. ”Decidi correr na terça-feira passada (21) e não fiz nenhum treino, pois queria ver meu limite, fazer disso um desafio e mostrar que estou recuperado. Quero mostrar que, quando passamos por cirurgia cardíaca, não precisamos nos entregar; podemos levar uma vida normal,  ’Alipiando’… Eu queria correr ano passado, mas não pude por causa da cirurgia. Como já estava bem agora, fui à forra. Sabia o tempo todo que conseguiria – tinha uma força muito grande me dizendo: ‘Vai’. Enquanto todo mundo brigava comigo, dizendo para eu não ir e que era loucura, decidi vencer a loucura. Quando ponho uma coisa na cabeça, sai de baixo. Ninguém me convence”, ressaltou em tom de brincadeira.

Com quatro meias maratonas no currículo e certo de que pararia no percurso caso começasse a passar mal, Alipio terminou o trajeto em 04:39. “Tive muita dor no final, câimbras, mas completei bem. Tinha pensado em fazer 04:30. O Sidnei Barbosa (Vida e Saúde/ Neuro&Fisio/ Vendamac) me ajudou muito, me orientou sobre hidratação, alimentação e me convenceu a sair mais devagar. Foi ótima a sensação de ‘irresponsabilidade cumprida’. Foi top. Valeu tanto a pena, que eu faria tudo de novo. A minha intenção com tudo isso não foi aparecer, mas mostrar para as pessoas que já passaram por cirurgia cardíaca que dá para voltar à vida normalmente, inclusive, praticando esporte, com orientação médica e profissional, e trabalhando. Para muitos, o que fiz foi uma irresponsabilidade, mas, para mim, foi um desafio. Me sinto muito bem e já estou preparado para a próxima, em novembro, na Maratona Ecológica de Raposo (RJ)“. 

Clique AQUI para conferir os resultados da Maratona do Rio de Janeiro 2015. 

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Flávio Stumpf foi 8º colocado geral nos 21km (Foto: arquivo pessoal)

Entre os ‘Top 10′ da Meia

Ex-integrante da equipe juiz-forana Super Amigos e promessa do atletismo nacional, Gilmar Lopes (Pé de Vento), 26, da cidade de São Miguel do Anta, na Zona da Mata mineira, está de volta aos treinos em Petrópolis (RJ), após alcançar a expressiva marca de 5º colocado geral na Meia Maratona, sendo o primeiro melhor do Brasil na prova, com 01:04. Ainda nos 21km e mesmo fora do pódio, o carioca Flávio Stumpf (Vidativa/ Vendamac/ Neuro&Fisio), que mora em Juiz de Fora, se disse satisfeito com a oitava colocação, o que lhe garantiu entre os ‘Top 10′ dos 21km, ao final 01:07. “Acompanhei o pessoal da Elite até o km 18. Depois, os caras ameaçaram correr mais e acabei quebrando. Tinha muito queniano na prova e os quatro primeiros colocados foram exatamente eles. Mas, como é corrida internacional, não tenho como criticar ninguém – até porque, as condições são mesmas para todo mundo”, ponderou.

Segundo o meia-maratonista, experiente nesse tipo de prova no Rio de Janeiro, Juiz de Fora e Ouro Branco (MG), apesar da corrida neste domingo, 02, pelo Ranking, o próximo grande desafio já está traçado. “Agora é treinar para a Meia Maratona Internacional do Rio, em agosto. Como o percurso vai ser o mesmo e os quenianos também vem muito fortes, vamos lutar para ‘chegar junto’ nessa”.

Clique AQUI para acessar a classificação da Meia Maratona do Rio 2015.

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Gedair Reis com troféus conquistados por Juiz de Fora: maior equipe na Meia e na Maratona do Rio (Foto: arquivo pessoal)

Equipes e faixas

Além de reunir vários atletas e equipes da cidade e região, fazendo a festa de dezenas de corredores em diversas faixas etárias e categorias, a Maratona e a Meia Maratona do Rio de Janeiro também são comemoradas com muito carinho por 386 corredores, que permaneceram na Cidade Maravilhosa por intermédio da Equipe Juiz de Fora – Solange Aparecida, a mesma que recebeu troféus como o maior grupo de corredores nas duas provas, segundo destacou o maratonista Gedair Reis. “Independente das classificações no geral, cada participante voltou para Juiz de Fora com a certeza de ter realizado uma boa corrida. A temperatura, entre 20ºC e 22ºC, nos ajudou muito. O percurso… não tem como elogiar mais: é um dos mais bonitos”. Natural de Mahumirim, também na Zona da Mata, ele concluiu os 42km na 38ª posição da faixa 55-59.

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