Maratonista de Juiz de Fora comemora 300 corridas com atos de solidariedade

Gedair Reis doa parte dos cabelos e arrecada litros de leite para instituições da cidade 

Gedair Reis (Foto: Hugo Keyler)

Gedair Reis (Foto: Hugo Keyler)

Dono de uma simpatia fora do comum e esbanjando vitalidade em várias provas pelo país afora, o maratonista Gedair Reis, 58, aproveita a 3ª Meia Maratona-Fripai, em Juiz de Fora, para comemorar outra marca pessoal importante: a corrida de número 300, em dez anos de dedicação total ao esporte. Fotogravador técnico por profissão, natural de Manhumirim e morador da eterna Manchester Mineira, ele oficializa momentos inesquecíveis de sua trajetória doando parte dos cabelos para o Hospital Ascomcer e arrecadando litros de leite para uma instituição que cuida de crianças carentes na cidade. As doações podem ser feitas em dois pontos do bairro Manoel Honório (loja Tecnobit – Praça Alfredo Lage, 154; e Academia Nectonus – Rua Américo Lobo, 878) ou no estande da equipe Super Amigos na quinta prova do 28º Ranking local, neste domingo, 08.

“Tenho certeza de que estarei muito feliz, porque minha felicidade em doar é muito maior do que a felicidade de quem vai receber. Essa é uma forma de agradecer a Deus por conseguir voltar a correr depois de uma cirurgia no joelho, em 2011. Muita gente dizia que eu não ia conseguir, mas consegui e, de lá para cá, já fiz duas maratonas. Quero continuar correndo e chegando no final alegre e feliz, para as pessoas verem que correr é prazeroso”, revela.

Resistência no início, resultado depois

Se atualmente o corredor traz no currículo o 23º lugar no Ranking Brasileiro de Maratonistas pela Revista Contra-Relógio, em 2010 (3h15 em 42,2km), o ano de 2008 é considerado um dos mais importantes, por ter lhe rendido o melhor tempo em meias maratonas (1:28.40 na 1ª Meia Maratona da Linha Verde, de Belo Horizonte), em abril; os prêmios de campeão por faixa etária do Atletismo Master UFV Fundo e Meio Fundo (1º lugar nos 5.000m, 1º nos 800m rasos e 2º nos 1500m), em junho; e o primeiro lugar nas 10.000 milhas (41’40”) e nos 800m (2’38”) no Biatlo Fundo e Meio Fundo do Minas Master de Provas Combinadas, também em Viçosa. Com tantos resultados inesquecíveis, emocionante é lembrar como tudo começou.

“Depois de passar mal no trabalho, o médico me pediu um exame de sangue e descobriu que todas as taxas que se pode imaginar estavam altas. Carinhosamente, ele me orientou a fazer caminhada e mudar a alimentação. Eu detestava legumes, frutas e verduras; era só massas, frituras e muita carne. Falava que não tinha tempo, por causa de trabalho e estudos, mas não teve jeito, comecei a caminhar duas vezes por semana, trinta minutos cada, contra a minha vontade. Pensei em desistir várias vezes, mas fui insistente e vi o resultado. Hoje sou maratonista”, alegra-se Gedair.

Gedair (laranja) e o amigo-incentivador Widsley Alonso (primeiro, esq. p/ dir.) entre colegas da Equipe de Funcionários Atletas da UFJF (Foto: arquivo pessoal / Gedair Reis)

Gedair (laranja) e o amigo-incentivador Widsley Alonso
(primeiro, esq. p/ dir.) entre colegas da Equipe de Funcionários
Atletas da UFJF (Foto: arquivo pessoal / Gedair Reis)

Amigos incentivadores

Em 2002 começaram os primeiros trotes pela UFJF, onde trabalha. “O rapaz que me levou para as corridas, a quem eu agradeço muito, o falecido Widsley Alonso, me chamava tanto para correr, que comecei a ter raiva dele, porque eu falava que não queria participar de competição. Mas fiz minha primeira corrida em 28 de março de 2004, só para agradá-lo. Ele fez a inscrição, eu fui e, terminando a prova, coloquei a mão no ombro dele e falei: ‘Poxa, cara… Não precisa me chamar mais, chega. É muito ruim correr assim”, lembra, destacando o que recebeu de resposta:

“‘Gedair, você corre igual uma bala, não é para fazer isso. Aprenda a correr, começa devagar, vai deixando o pessoal ir embora, depois você aumenta’. Falei para o Alonso que não queria correr mais, mas, quinze dias depois, a gente já estava numa de 6km em Santa Luzia”.

Passados dois anos, o manhumiriense começou a disputar meias maratonas, mas a vitória veio mesmo nos 21km entre Bicas e Mar de Espanha. “Foi ela que me projetou no atletismo. Só que, daí para as maratonas, ainda levou um tempo, pois tinha medo de acabar me machucando e perder o prazer pelas corridas. Até que meu amigo Guilherme Ronzani, voltando da Maratona Garoto, em Vila Velha (ES), me disse: ‘Se um pangaré como eu consigo, você vai fazer com os pés nas costas’. Não me esqueço disso, foi meu maior incentivo. O Alonso para as corridas, e o Guilherme para as maratonas”.

Gedair com a companheira, Célia Claveland, e o filho, Alisson Bastos dos Reis (Foto: Hugo Keyler)

Gedair com a companheira, Célia Claveland, e o filho,
Alisson Bastos dos Reis (Foto: Hugo Keyler)

Muito pela frente e em trio

Com nove maratonas, mais de trinta meias maratonas e uma quilometragem que poderia fazê-lo “dar a volta ao mundo”, Gedair acredita que a oportunidade de ter competido com atletas do São Paulo, Botafogo e Fluminense no Campeonato Brasileiro para Veteranos, incluindo o apoio da imprensa local até hoje, aumentam o prazer de conhecer novos lugares a cada prova, mesmo que sejam municípios vizinhos, como Rio Pomba, Rio Novo e Piau. “Ver meus colegas assistindo, aplaudindo e me colocando até o apelido de ‘índio voador’ são marcantes. Normalmente, cruzo a linha de chegada três vezes: uma minha, outra com minha companheira Célia e a última com meu filho, Alisson – isso se ele me permitir, porque já está correndo idêntico a mim, com a mesma passada. Posso dizer que os quilômetros que corri são infinitamente maiores do que os que ainda vou correr. Cada um que eu for vencendo vai ser como um álbum de fotografia, vai ficar presente em mim por inteiro”, encerra.

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