MEDICINA DO ESPORTE: Lesões esportivas na infância e adolescência

lesões esportivas crianças e adolescentes - Shutterstock

As crianças e adolescentes não são adultos em miniatura. Durante o crescimento e desenvolvimento do sistema musculoesquelético, o nosso organismo vai passando por alterações importantes. Na criança, os ossos são mais flexíveis e apresentam regiões responsáveis pelo crescimento. Nos ossos ditos longos, como por exemplo o fêmur e a tíbia, esses locais de crescimento se encontram em suas extremidades, próximas às articulações, como o joelho e o cotovelo.

Quanto mais novo o indivíduo, maior é o potencial de crescimento nessas regiões. Se, por algum motivo, elas forem comprometidas, podem ocorrer sequelas. Nos comprometimentos em idade mais precoce, as sequelas podem ser maiores, pois o tempo que resta de crescimento é maior. Em compensação, tem-se mais tempo para remodelação e cura se o diagnóstico e tratamento ocorrerem no início.

É importante salientar que cada osso tem seu tempo para cessar o crescimento. Na média, por exemplo, os ossos do pé de um garoto param de crescer aos 14 anos. Já o joelho cresce até os 16 e a coluna até os 18, 19 anos. Os músculos tem seu ritmo de crescimento influenciado pelo crescimento dos ossos. Nos períodos de estirão, os músculos tendem a ficar tensionados e encurtados, gerando pressão nas articulações que podem sofrer sobrecarga.

Nas últimas décadas, temos observado cada vez mais crianças e adolescentes se envolvendo em atividades esportivas de alto nível. Como consequência, constatamos um aumento das lesões causadas pelo uso excessivo – as lesões por “over use”. O mal gerenciamento dessas patologias pode levar à interrupção precoce das atividades esportivas em jovens atletas com grande potencial. A sobrecarga de treinamento pode gerar alterações ósseas, cartilaginosas, tendíneas e nas regiões de crescimento – e, como consequência, sequelas incapacitantes incompatíveis com um alto rendimento.

lesões esportivas crianças e adolescentes - rep saúde infantil

Fatores “intrínsecos” e “extrínsecos”

É importante observar também fatores chamados “intrínsecos” de cada indivíduo. Alguns desses fatores, como o formato dos pés, a frouxidão dos ligamentos e a angulação alterada dos joelhos podem predispor o surgimento de lesões. Já os fatores “extrínsecos” também devem ser avaliados, tais como tempo e intensidade do treinamento, tipo de calçado, terreno em que se pratica a atividade, ensino da técnica correta, entre outros.

Torna-se, então, fundamental a figura do educador físico, que é o profissional que irá prescrever o exercício e determinar a carga e intensidade para cada idade, respeitando o biotipo e fase de crescimento e desenvolvimento do atleta. Ao menor sinal de dor, edema ou desconforto, esse atleta deve ser encaminhado para um ortopedista, de preferência com experiência na área esportiva, para avaliação e definição da conduta.

Saúde em equilíbrio. Esse é nosso objetivo!

Dr. Fernando Mascarenhas Duarte Mendes
Médico Especialista em Acupuntura e Ortopedia
CRM – 25937 / Tel: (32) 3214-5805
drfernandomascarenhas@yahoo.com.br
* Imagens: Reprodução web / Buzerro.com / Shutterstock / Blog Saúde Infantil

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