Moradora de JF, atleta de canoa havaiana calcula: “Já remei mais de 1.000km”

*Reportagem: Priscila Oliveira

Carioca da gema, mas com a família materna toda mineira e uma relação com Juiz de Fora que começou há cerca de oito meses, quando fixou residência na cidade, local em que trabalha com crianças autistas e cursa faculdade de Psicologia. Ligada ao esporte desde sempre, jogar futevôlei, altinha e correr foram algumas modalidades desenvolvidas por Juliana Hughes até se apaixonar por um esporte que cresce cada vez mais no Brasil: a canoa havaiana.

De boné branco, Juliana Hughes e outras cinco canoeiras remam durante a 16ª Volta à Ilha de Santo Amaro, de 75km (Foto: Roberto Melchior)

“Morei três anos em Ubatuba (SP) e, um dia, saí para correr e vi a canoa saindo do mar. Esperei a turma sair na areia e perguntei ao professor o que era aquilo, porque eu nunca tinha visto. Ele me explicou, falou que era canoa havaiana e para eu voltar no outro dia. Voltei, e nunca mais parei de remar”, lembra. Isso aconteceu em março de 2017 e, em julho, a atleta encarou a primeira competição, pela categoria OC2 mista (dupla), terminando na 8ª colocação.

Em setembro do mesmo ano, mês de sua segunda disputa, de OC1 (individual), chegou ao pódio em 3º lugar e, de lá para cá, não deixou de ser premiada nos desafios dos quais participou. “Já fiz competições de 75km, 90km, 20km e 10km. Já competi em Ilhabela (SP), Cabo Frio (RJ), Búzios (RJ), Guarujá (SP), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), São José dos Campos (SP, represa), São Paulo (SP, represa), Vitória (ES), Vila Velha (ES) e Brasília (DF, Lago Paranoá). Já remei mais de 1.000km”.

Para a canoeira, a prática do esporte traz benefícios que vão muito além do contato com a natureza. “A canoa tem uma filosofia de vida muito legal, que é o Imua – faça acontecer! Quem conhece a canoa e rema se apaixona, e não para nunca mais. Treino em Santos de 15 em 15 dias, porque minha equipe (Ohana ATR) é de lá, e sou filiada à Confederação Brasileira de Canoa pelo Canomama, de Brasília. Nunca tive acesso às represas de Juiz de Fora e, por não ter canoa, não consigo treinar em Minas. Mas, meu desejo é comprar um OC1 em breve e começar a treinar aqui”, revela.

Desafio paulista garantiu à equipe da carioca, que tem parte da família em Minas, o troféu de 3º lugar (Foto: arquivo pessoal)

Sonho mundial

Para manter o ritmo de competições, Juliana mantém treinos específicos na academia e malha todos os dias, além de fazer simulações de remada no remo de crossfit. Este ano, disputou a categoria OC6 (seis remadores) no 2º Desafio Travessia Salvador – Morro de São Paulo, de 60km, na Bahia, em fevereiro, e comemora um título importante, conquistado no final de março. “Essas equipes têm 9 atletas, que se revezam com 6 remando na canoa e 3 embarcados no barco de apoio. Além de mim, nosso time foi formado por Thais Romiti (capitã), Larissa Lima, Nicole Saback, Leilane Sother, Taís Amorim, Patrícia Dias, Samantha Oliveira e Cristina Maia. Ficamos em 3º lugar na nossa categoria, na 16ª Volta à Ilha de Santo Amaro, de 75km, no estado de São Paulo – a maior competição brasileira de canoa, com mais de 60 canoas e 270 atletas”.

Entre os principais objetivos dela para a atual temporada estão outras provas pelos litorais paulista, fluminense e catarinense. “Em agosto, eu e outra atleta faremos uma travessia de 400km em 10 dias, de OC2, remando 40km por dia. Estamos decidindo o destino. Disputarei vaga para o Mundial dia 20 de abril, em Niterói (RJ). Ainda tem o Campeonato Brasileiro, com etapas em São Sebastião (SP) e Vitória (ES), e a busca pela classificação no Sul-Americano. Meu principal objetivo é ser campeã mundial. Tenho 33 anos, mas a canoa não tem idade. Existe categoria acima de 60 anos. Ou seja, nunca é tarde”, finaliza.

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