O mundo da corrida e seus mitos

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Imagem: Reprodução / Moments by Allianz

O mundo da corrida de rua é rodeado por muitos mitos, que, repetidos incontáveis vezes, acabam virando verdade. Há também alguns benefícios da prática esportiva que nem sempre são bem explicados – e acabam gerando ainda mais dúvidas entre os corredores. Muitas pessoas, na maioria mulheres, me perguntam diariamente o que é mito e o que é verdade quando o assunto é o universo feminino nas corridas. Sempre procuro explicar aos praticantes de atividade física que a corrida traz inúmeros benefícios.

Flacidez, gravidez e corrida

Surgiu um mito de que a mulher que corre tende a ficar flácida. Por ser uma atividade física que exige que todo o corpo funcione de forma equilibrada, desde aparelho cardiorrespiratório até  postura e elasticidade, a corrida ajuda a tonificar a musculatura. Ao começar a correr, as mulheres tendem a perder mais gordura em regiões como glúteos e pernas. Mas, com o tempo, o fortalecimento muscular tende a se destacar. Além disso, a prática constante e equilibrada auxilia no controle de peso, o que garante um ótimo contorno corporal e definição.

Outro ponto é sobre gravidez e corrida. Os benefícios da corrida para as gestantes são os mesmos que para as não-gestantes. Maior disposição e saúde, controle do peso, melhora da circulação sanguínea e do sistema cardíaco são alguns exemplos. A prática, porém, é válida apenas para aquelas que já corriam antes da gravidez e, ainda assim, o ideal é que seja realizada de forma moderada, com uma frequência cardíaca baixa, que não exija esforço demasiado. Lembrando que é imprescindível acompanhamento e orientação física, obstétrica e nutricional. Então, gestantes podem, sim, praticar corrida.

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Imagem: Getty Images / Reprodução Terra – Saúde

Envelhecimento, frequência de lesão e benefícios para mulheres 

Outro ponto negativo diz respeito ao envelhecimento. A produção de radicais livres (substâncias que oxidam as células e são responsáveis pelo envelhecimento) é maior em quem corre. No entanto, corredores também produzem mais antioxidantes – moléculas capazes de inibir a oxidação de outras moléculas — em estado de repouso, gerando, assim, uma espécie de mecanismo de compensação. Tome cuidado apenas com a ação do sol durante sua corrida.

Dizem também que as mulheres tendem a se lesionar mais do que os homens. Não há dados que comprovem que isso; elas apenas tem uma predisposição maior para algumas lesões específicas, como a síndrome patelofemoral (ou condromalácia patelar). Isso pode ocorrer em virtude das alterações anatômicas e biomecânicas do quadril da mulher e do joelho em formato de “x”. As oscilações hormonais ao longo do ciclo menstrual também podem favorecer as fraturas por estresse, por exemplo.

Em outro artigo, já apresentado aqui no site (clique AQUI para acessar), vimos os benefícios que a corrida traz para as mulheres e a questão hormonal. A corrida ajuda na produção e liberação de endorfina no organismo, proporcionando maior sensação de bem-estar. Isso faz com que os hormônios fiquem mais bem regulados no período pré-menstrual, aliviando sintomas como irritação e até cólicas. Essas mesmas substâncias também diminuem os sinais de menopausa, como alterações de humor constantes e repentinas, além de terem efeito benéfico sobre a glicemia e o colesterol, que podem ser de difícil controle nessa fase.

Ou seja, não há desculpas. Vamos nos focar no que é verdade, e bora praticar saúde!

Prof. Pedro Paulo Duarte Souza
Especialista em Treinamento Esportivo pela UFMG
CREF 008002-G/MG, Tel:  (32) 9982-9309
personal.pedro.paulo@gmail.com
** Referência: Artigo Ginecologia da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho (Daniela Rocha Landim),
publicado na revista Women’s Health

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