Roupas de compressão x Corrida

Elas fazem um imenso sucesso entre os corredores. Basta observar nos treinos ou nas competições para que você encontre diversas pessoas com aqueles meiões até os joelhos, bermudas justinhas ou camisetas com compressão em locais estratégicos.

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Imagem: Reprodução / Folha Vitória

As peças com essa tecnologia prometem aumento da circulação sanguínea e, portanto, melhor fornecimento de oxigênio e melhor eficiência de movimento, reduzindo a carga nos músculos ativados, fazendo com que o exercício seja menos cansativo. As meias compressivas servem, como o próprio nome diz, para gerar uma compressão nas pernas de forma específica. Essa compressão costuma ser maior que a das meias comuns e tem como objetivo melhorar a força e a resistência muscular das pernas, reduzindo o risco de lesões e melhorando a performance.

As fibras elásticas dessas meias estão dispostas longitudinal e transversalmente, de forma que a compressão seja homogênea e funcione como um tipo de contenção, evitando que o músculo oscile ou vibre demais. Realmente, isso soa estranho, mas, durante a corrida, os músculos literalmente chacoalham com o movimento das pernas, vibrando conforme entramos em contato com o chão e, subitamente, eles voltam para uma posição inicial quando se contraem. Isso tudo exige um controle considerável da musculatura, além de flexibilidade, força e capacidade de adaptação. Basta pensar por que cansamos mais ao correr na areia, na grama, em trilhas etc. Um terreno mais firme e plano necessita de menos adaptações do corpo quando comparado a um terreno irregular. Ou seja, um músculo que oscila menos vibra menos e precisa se adaptar menos – é um músculo que, com certeza, vai cansar menos e, por isso, render muito mais.

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Imagem: Reprodução / Terra Magazine

Contudo, essas meias costumam ser um pouco caras, quando comparadas às outras. Mas o ponto principal, sem dúvida, é a falta de consenso a respeito de sua eficácia. Da mesma forma que o efeito dos alongamentos na prevenção de lesões, o uso dessas meias também oferece prós e contras. O principal motivo contrário ao uso seria o mecanismo de adaptação dos músculos com o uso delas. Alguns profissionais acreditam que uma pessoa que usa as meias com certa frequência nos treinos e em provas fará o músculo se acostumar com elas e, consequentemente, perder a capacidade de se adaptar às vibrações, oscilações, mudanças de terreno etc., tornado-o mais suscetível às lesões quando for correr ou realizar qualquer outra atividade física sem elas.

Vou expressar minha opinião: se você já usa, tente variar um pouco, realizando treinos com e sem elas. Dê preferência para usá-las em dias mais frios ou quando sentir que o corpo está um pouco mais cansado, ou indisposto. Se nunca usou, às vezes é válido experimentar para saber os benefícios que ela pode trazer e quando poderia usá-las. Ela é mais uma ferramenta que o corredor pode ter em seu repertório. Saber como seu corpo se comporta com e sem elas dá um arsenal maior de recursos disponíveis a serem usados em diferentes provas e sequências de treinos. É o mesmo que treinar a corrida com pequenos frascos de água na cintura ou com sachês de carboidrato no bolso – uma vez que se conhece seus benefícios, vai saber em que partes, tipos de provas e treinos o corredor poderá utilizá-los.

Bora praticar saúde!

Prof. Pedro Paulo Duarte Souza
Especialista em Treinamento Esportivo pela UFMG
CREF 008002-G/MG, Tel:  (32) 9982-9309
personal.pedro.paulo@gmail.com
* Imagem de capa: Reprodução / Blog Overrunning
** Fontes: Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – SBACV
Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista – SBHCI
Revista O2 – edição Agosto / Setembro de 2014

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