Transplantado de coração, educador físico da UFJF se emociona: “Recebi uma nova chance”

* Priscila Oliveira ; Foto de capa: Hugo Keyler

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Dilson Borges nasceu em Três Rios (RJ), mas vive em Juiz de Fora, onde leciona na Universidade Federal (Foto: Hugo Keyler)

Professor de Educação Física da UFJF, Dilson Borges, de 38 anos, vive na pele a alegria de ter tido uma nova chance para seguir em frente. Há cerca de quatro anos, descobriu uma insuficiência cardíaca causada por uma bactéria que, gradativamente, levou o órgão ao crescimento e à perda de suas funções. Após várias tentativas de reverter a situação com uso de medicamentos e exercícios físicos, recebeu a notícia de que apenas uma alternativa o levaria à sobrevivência: um transplante de coração.

“Eu já estava numa situação tão crítica quando descobri que precisava do transplante, que aceitei que teria que passar por aquilo para ter uma nova chance. Foi uma fase bem difícil, mas a cirurgia em si nunca me assustou, porque eu estava no Incor (Instituto do Coração, em São Paulo – SP), num centro de referência que sempre me deu muita tranquilidade.  Fiquei na fila por quatro meses e meio. Pode parecer pouco, mas para mim foi uma eternidade”, lembra.

Tudo dando certo

Passado um ano e meio desde a intervenção, ele comemora a evolução pessoal pós-cirurgia. “A principio a gente pensa que ‘transplantou, a vida volta ao normal’, mas é preciso algumas adaptações e cuidados permanentes, principalmente com o risco de rejeição do órgão e infecção. A cada dia eu vim criando um nível de confiança maior, de que as coisas deram e vão continuar dando certo. Vim evoluindo lentamente, ao ponto fazer coisas agora que normalmente eu não conseguiria, como voltar a trabalhar e correr”.

Ligado à prática esportiva antes mesmo de se formar educador, Dilson teve no condicionamento físico um grande aliado para se restabelecer – tanto que completou os 3,5km de caminhada da  Corrida Faefid/UFJF, no último dia 03. “O lastro de ter sido atleta e ter feito atividade física a vida inteira ajudou muito na minha recuperação. Sempre fui considerado um bom candidato ao transplante e não acreditava, mas agora confirmo que isso era verdade.  Fiz Reabilitação Cardíaca no HU e me desenvolvi super bem”, afirma. E acrescenta: “Comprei uma bicicleta para ir e voltar do trabalho todo dia. Jogo tênis com os colegas, faço corrida e caminhada lentamente. Não tenho grandes pretensões ainda, mas espero participar do Campeonato de Transplantados em breve”.

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Em março, ao lado da esposa e das filhas, professor comemorou o primeiro ano de vida pós-cirurgia (Foto: arquivo pessoal)

Incentivo

Entre os desafios que Borges encara com muita força de vontade está o de conscientizar sobre esse assunto, especialmente neste Setembro Verde, cujo ponto alto acontece na próxima quarta-feira, 27, Dia Nacional da Doação de Órgãos. “Acabamos sendo exemplos vivos de que o transplante dá certo e realmente pode salvar vidas. Que isso sensibilize as pessoas a se informarem. Doar órgão é muito mais; é fazer o movimento da vida continuar acontecendo, mesmo com a perda de um ente querido”, enfatiza.

Para completar, o sentimento que fica para o professor é de gratidão. “Se eu não tivesse recebido esse transplante, não teria mais a oportunidade de trabalhar, curtir a vida, criar minhas filhas ou estar com a família e amigos”.

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