Ultramaratonista de JF encara Comrades Marathon, na África do Sul

* Priscila Oliveira; Foto de capa: Hugo Keyler

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Gláucio Monte-Mór (Foto: Priscila Oliveira)

Treinador de corrida e treinamento funcional, o ultramaratonista juiz-forano Gláucio Monte-Mór (Vidativa) faz contagem regressiva para enfrentar o que tem tudo para ser o maior desafio de sua carreira como atleta de longa distância: a Comrades Marathon (ou “Camaradas Maratona”, em tradução livre para o português). Considerada a maior e mais antiga ultramaratona do mundo, a prova chega à sua 90ª edição neste domingo, 31, como um símbolo vivo do jovem soldado Vic Clapham, que viu no cenário desolador do pós-guerra a possibilidade de reacender a camaradagem compartilhada nos campos de batalha através do esporte – mais especificamente com um percurso de 90km entre a capital da província de KwaZulu-Natal, Pietermaritzburg, e a cidade costeira de Durban, na África do Sul.  Iniciada em 24 de maio de 1921 com apenas 34 corredores, a edição especial de 90 anos deve contar com mais de 22 mil participantes no chamado trajeto “para cima e para baixo”, já que tem direção alternada anualmente.

“Todo mundo que faz ultramaratona sonha em correr a Comrades, porque ela é a mais antiga, tem toda uma história e reúne muita gente. Eu já acompanhava as notícias sobre essa prova, além de ser um país legal para conhecer. Quem já fez a Comrades fala que tem uma energia muito boa – os moradores montam barracas de praia na rua e ficam dando apoio para os corredores o tempo todo. Quando pensei em participar, conversei com três atletas de São Paulo (SP) para saber se valia a pena, e eles foram unânimes: ‘Vale cada centavo que você vai gastar. A emoção é muito maneira, a prova é muito legal e a estrutura é muito boa. Você vai gostar de tudo que vai ver lá’. Isso foi alimentando meu sonho”, conta.

Clique AQUI para saber mais sobre a Comrades Marathon 2015.

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De boné branco, no pódio da Ultramaratona 24h Fuzileiros Navais, em 2014 (Foto: arquivo pessoal)

Processo gradativo até as ultramaratonas

Acompanhado da namorada Tatiana Fonseca na viagem, Monte-Mór revela que, ao longo de uma década nas corridas, fez questão de respeitar cada limite do próprio corpo, aumentando as distâncias gradativamente e passando das provas curtas para as meias maratonas, maratonas, corridas com 50km e ultramaratonas (para ele, apenas superiores a 100km) ao final de quatro anos. Durante esse processo, a experiência trocada com conterrâneos que são referência em longa distância – como Vanderson Luiz, Gerson Silveira e Marco Farinazzo – foi essencial para que a busca por desafios ainda maiores fosse alcançada e superada.

De 2005 para cá, o atleta acumula no currículo pelo menos quatro São Silvestres consecutivas (2005/ 06/07/08), oito maratonas, quinze meias maratonas, quatro provas de 50km, uma de 100km (em Praia Grande – SP, onde foi 5º geral), uma de 12h (em Valinhos – SP, onde correu 110km, foi 6º geral e 1º na faixa etária) e outra de 24h (158km no Rio de Janeiro – RJ, 10º geral e 2º na faixa etária). “A paixão por longa distância começou desde o início. Eu corria 10km, depois 21km e falava: ‘Falta alguma coisa; eu preciso correr mais’. Sempre fui uma pessoa que teve facilidade com resistência e pouca afinidade com velocidade, com explosão. Correr 5km, 7km é muito sofrido para mim, porque é preciso correr muito rápido, e eu não gosto. Então, comecei a juntar tudo: o gosto, o sentimento de prazer pela corrida, facilidade da minha performance ser melhor etc. Depois que você faz ultramaratona é ultramaratonista para sempre – encara 100km, 12h, 24h. É difícil, mas dá para encaixar”.

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Comrades Marathon (Foto: Reprodução / One Life)

Que venham a Comrades e próximas disputas

Após uma série de treinos específicos e à finco para a ultramaratona sul-africana, incluindo uma subida ininterrupta pela Serra de Petrópolis (RJ), Gláucio se prepara para completar a prova em aproximadamente 9h. “Só se acontecer uma catástrofe, como me machucar, ter que andar ou algo do tipo, que eu não vou completar o percurso no tempo da prova, que é de 87km em doze horas. Vou participar, mas os caras que correm a Comrades são profissionais, é um ritmo muito alucinante para mim e não tenho condições de qualquer resultado expressivo. Pode ser que na faixa etária tenha mil atletas e eu fique entre os 100, mas, no geral, não tenho chance de pódio”, avalia.

Depois dessa realização, Gláucio pretende repetir o 24h Fuzileiros Navais e subir sua marca de 158km para 180km. “Perdi a faixa etária por 300m no ano passado, mas quero tentar aumentar a quilometragem. É difícil prever, porque é uma prova onde acontece de tudo: você para, faz massagem, tem sono, dá vontade de chorar…  É a maior doideira, é uma loucura. Tem a Maratona do Rio, mas não coloquei nenhum objetivo maior que a Comrades este ano. Em 2015, devo fazer os 100km da Volta do Lago (Paranoá), em Brasília (DF) – uma disputa dificílima, pois é na época com o clima mais seco na cidade, em julho. Tem subida, trilha etc.. Quero fazer essa prova porque, para mim, quanto mais difícil, melhor.  Porém, meu sonho maior é a Comrades – acho que não vou ter na vida outro sonho maior que esse”.

* Gláucio Monte-Mór é patrocinado por Vidativa Consultoria Esportiva, Rodoviário Camilo dos Santos, Alumac, Souza Gomes Imóveis, Tesla Eletrônica, Elettra Componentes, Semetra, Fullife Nutrition e Idem per Idem Farmácia, com apoio de Super+Ação Fotografia Esportiva, Fisioterapeuta Armando Falconi Neto e All Sports.

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