Ultramaratonista de Santos Dumont quer ser o mais jovem a completar 300km

*Reportagem: Priscila Oliveira

Comemorar mais um ano de vida, fazendo aquilo que tanto gosta. É pensando nisso que o atleta Juan Pablo Oliveira (Luiz Bastos Performance Esportiva) faz contagem regressiva para o Desafio 300 – ultramaratona de 300km, com largada amanhã (21), em Tiradentes, no Campo das Vertentes, e chegada domingo (24), em Passa Quatro, no Sul de Minas. Seus 25 anos serão completados no meio do caminho, sexta-feira (22), quando ele e outros 299 corredores devem completar as primeiras 13h de prova pela categoria Solo, no distrito de Caquende, em São João del-Rei.

Juan Pablo Oliveira vai comemorar 25 anos num desafio entre Tiradentes e Passa Quatro (Foto: arquivo pessoal)

“No mundo, ninguém da minha idade conquistou uma prova acima de 250km, o que aumenta minha responsabilidade. Pretendo correr direto, com uma parada apenas em Cruzília, no Km 150, para cruzar a linha de chegada sábado, antes do meio-dia e abaixo de 45 horas. Isso depende do decorrer da prova, mas, se for preciso, vou caminhar ao invés de parar. Apesar de querer vencer, não posso esquecer que terão mais atletas correndo. Não vou fazer nada além do que planejei e trabalhei para fazer. Se eu completar, já estarei muito feliz”, antecipa.

Combustível familiar

Natural de Santos Dumont, onde foi produtor rural ao lado do pai e atualmente trabalha numa usina hidrelétrica, no distrito de Conceição do Formoso, o jovem ultramaratonista treina em dois períodos ao dia, pelo menos cinco vezes por semana. “O volume é alto demais, mas é um sonho que tenho. É pesado, porque são 5 a 9 horas de treino. Chego a rodar 50km após o expediente e até 80km nos domingos. Às vezes, saio de madrugada. O trabalho cansa, mas, se você canalizar as energias e se concentrar, dá para cumprir as planilhas”.

Outro combustível está na família. “Minha esposa, Inaiara, me apoia, e também quero que meu filho, Arthur, de 2 anos, conte histórias sobre mim no futuro. Eles moram na cidade e eu acabo aproveitando para treinar, pois são 33km até lá”, brinca. Juan lembra que seu envolvimento com as corridas começou aos 18 anos, quando serviu ao Exército, onde conquistou prêmios de melhor aptidão física e recebeu um convite especial.

“O [Marco] Farinazzo foi na prova BR 135+, precisou de apoio, recorreu ao 4º Esquadrão para correr 215km e eu aceitei. Corri 160km ao lado dele e me reencontrei nas corridas. Fiquei impressionado com o fato de atravessar a noite correndo, porque ele largou às 8h da manhã e, por volta de 1h da madrugada, continuava no mesmo ritmo – subindo e descendo montanha. Ver aquilo foi incrível para mim. Nessa hora, percebi que era isso que eu queria fazer e ser, e comecei a treinar”, revela.

Apesar de sofrer preconceito por ser tão jovem na modalidade, atleta quer chegar ao Mundial de 24 horas (Foto: arquivo pessoal)

Predestinação

De lá para cá, o sandumomense já conclui 8 ultramaratonas e faz questão de aproveitar cada oportunidade recebida. “Aprendi muito sendo pacer (o cara que dá ritmo ao atleta), tanto do Farinazzo quanto do Itamar Góes, ao lado de quem fui vice-campeão dos 281km, em 2017. Apesar de ser muito novo, já me sinto forte na modalidade, devido à visão estratégica que venho aprendendo com o doutor Reinaldo Musialowski, do Rio de Janeiro, e com o meu treinador, Luiz Bastos. Acho que tem tudo para dar certo, e me sinto predestinado. É só eu firmar nesse caminho, que dá para acontecer muita coisa boa ainda”.

Para isso, busca derrubar uma velha barreira. “O Brasil tem uma regrinha: menino até 27, 28 anos tem que correr 21km, no máximo – sendo que, nos Estados Unidos e na Europa, garotos de 12, 13 anos já estão correndo 100km bem. Esse modismo, de só ‘poder’ correr prova curta e rápida, tem que acabar”, enfatiza.

Acreditando ser o único ultramaratonista de 25 anos no país, o mineiro se alegra por ter conhecido os santistas João Magalhães e Rodrigo Santejo, de 23 e 22 anos, recentemente. Segundo ele, os dois já correm 100km a nível nacional. “Lido muito com o preconceito, a cada competição. Sempre me falam que eu não devo correr esse tipo de prova, porque vou lesionar e coisas desse tipo. Mas, quero seguir em frente, para mudar esse pensamento. Meu maior objetivo é representar o Brasil e ser o atleta mais novo a ir para um Mundial de 24 horas – só para não falarem mais que não podemos correr longas distâncias”.

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