90 anos: São Silvestre é comemorada com entusiasmo pelos atletas da região

* Reportagem: Priscila Oliveira ; Foto de capa: Silencioso Cascatinha

A corrida mais tradicional do país movimentou mais de 27 mil atletas do mundo inteiro e também foi motivo de celebração para os representantes de Juiz de Fora e região, que deixaram suas marcas registradas na edição de 90 anos da São Silvestre e voltaram para casa cheios de entusiasmo com o que vivenciaram nos 15km pela capital paulista, no último dia 31.

Bem na elite

Direto de Coronel Pacheco, o campeão do Ranking de Juiz de Fora em 2014, Eberth Silva (Vidativa/ Fripai/ Pop Kids/ Fullife/ Camilo dos Santos), não só estreou na prova como marcou seu nome entre os gigantes do atletismo. Com o objetivo inicial de chegar entre os 50 primeiros colocados gerais, ele se surpreendeu ao completar o trajeto na 24ª colocação, com o tempo de 48min49s.

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Eberth Silva, de branco, estreou na prova com resultado melhor do que o esperado (Foto: Divulgação)

“O resultado foi até melhor do que esperava. Fiz uma prova crescente e ver tantos atletas de alto nível me deu mais motivos para treinar mais e buscar melhores marcas este ano. A São Silvestre é muito legal e, ao mesmo tempo, desafiadora. Na minha opinião, foi a prova que teve mais atletas de alto nível no mesmo lugar, com cerca de 12 estrangeiros e uma elite brasileira fortíssima”, destacou. Com previsão de voltar às competições apenas em fevereiro, o foco do pachequense agora é “fazer uma boa base de treinamento para conseguir um bom ano”.

Olhos emprestados

Guia do conterrâneo e atleta Marquinhos Henriques (Clube Bom Pastor), Gedair Reis, de Manhumirim, não aprovou a mudança no horário de largada dos portadores de necessidades especiais (PNE), de 6h55 em 2013 para 9h este ano. “Foi minha corrida mais difícil como guia. Enquanto em Juiz de Fora conquistamos o direito de realizar uma largada antes do pelotão geral, lá aconteceu o inverso. Os PNE ficaram posicionados logo após a elite e, ao dar a largada, fomos ‘massacrados’ pelos atletas que buscavam seus melhores tempos. Largamos exatamente após a elite masculina e, entre nós guias, o receio de um atropelamento era enorme”, se indignou.

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Marquinhos Henriques e Gedair Reis correram a São Silvestre juntos pela segunda vez (Foto: arquivo pessoal / Gedair Reis)

Para ele, apesar de outro ponto negativo ter sido a proibição para que um participante pudesse retirar o kit da corrida por outra pessoa, a São Silvestre continua tendo um “charme especial”. “Nos últimos 50 metros, o Marquinhos correu guiado ao som das minhas palmas… É uma confraternização entre os corredores e existe uma sintonia muito grande entre a população de São Paulo com os atletas. Mesmo não participando da corrida, as pessoas se mostram envolvidas com a festa”, complementou, observando, ainda, que boa parte dos colegas de viagem aproveitaram a virada do ano na Avenida Paulista e no hotel onde ficaram hospedados.

De mãe para filha

Natural de Astolfo Dutra, mas moradora de Juiz de Fora, a corredora Denise Baesso (Live Well) participou da prova pela segunda vez consecutiva, acompanhada da filha Júlia, a quem incentivou no esporte e com quem pode contar desde 2012, quando passaram a correr juntas.

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Denie e Júlia Baesso: Juntas no esporte desde 2012, uma sempre incentiva a outra a completar cada desafio (Foto: arquivo pessoal / Denise Baesso)

“É um prêmio em dobro compartilhar essa alegria com uma filha. Fico muito orgulhosa dela participar, pois uma incentiva a outra”, se alegrou, ressaltando que sempre é aguardada com muito carinho pela “pupila” nas linhas de chegada.

Este ano, Júlia terminou o percurso em 1h40min, enquanto Denise ficou com a marca de 2h15min. “Esperava melhorar meu tempo, mas fiz o mesmo do ano passado, devido ao calor muito forte e ao ‘engarrafamento’ nos momentos de hidratação. A organização vai ter que arrumar isso, porque é muita gente querendo pegar água ao mesmo tempo. Mas, adorei tudo. Foi emocionante e maravilhoso. Os paulistas são muito simpáticos, ficam incentivando o tempo todo, e interessante também foi que, no meio de uma multidão, ainda encontramos amigos de Juiz de Fora que não tinham ido no nosso ônibus”, completou a matriarca.

Clique AQUI para conferir algumas marcas dos corredores da região na prova.

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Felipe Gazolla, ‘Tia Vera’, Sara Rodrigues, Isabela Gabriel de Lade e Eduardo Scaldini: Conexão JF-SP na disputa (Foto: arquivo pessoal / Eduardo Scaldini)

Praticamente em família

Entre os “conterrâneos” que foram ao evento “por conta própria” estiveram os casais Eduardo Scaldini e Isabela Gabriel de Lade, e Sara Rodrigues e Felipe Gazolla – todos representantes da SaúdePerformance. Para eles, difícil foi enumerar as qualidades da São Silvestre. “É uma corrida ou uma festa?”, brincou Scaldini, respondendo à própria pergunta: “Não sei, mas garanto que foi o maior evento desportista que presenciei, e, com a graça de Deus, pude fazer parte. Correr com a Isabela é maravilhoso. Fico muito satisfeito de correr, pedalar e, agora em 2015, estaremos juntos no triathlon. Nossa equipe também foi muito bem representada pela Natália (Fernandes, 1ª colocada na faixa 25-29 feminino, com 1h15min), que voou baixo. A Sara ficou entre as 70 da categoria e nós, como sempre, participamos de tudo”.

O corredor ainda fez questão de eternizar uma companhia muito querida ao longo dos 15km de prova paulista. “A ‘Tia Vera’, uma pessoa muito especial, que parece uma menina de tão animada… Ela é tia da Sara, mora em São Paulo, comprou uma bike, pedala, corre e até pensa em nadar. Ela concluiu a corrida em 2h41, é um exemplo a ser seguido”, frisou.

Clique AQUI para acessar as classificações gerais e demais resultados da São Silvestre.

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Gina Teixeira, Jack Melo, Márcia Regina, Otávio Mourão e Sônia Lopes vivenciaram o que assistiam pela TV (Foto: arquivo pessoal / Márcia Regina)

Cheia de calangos

Quem também marcou presença na corrida pelo entorno da Avenida Paulista foi a equipe Calango Runners, de Barbacena. Márcia Regina, Sônia Lopes, Jack Melo, Otávio Mourão e Gina Teixeira foram alguns dos “calangos” (como são carinhosamente chamados) que invadiram a festa esportiva. “A São Silvestre, mais uma vez, me emocionou. Pelo segundo ano correndo a prova, pensei que essa edição fosse ser diferente do ano passado, mas que nada… Novamente, eu estava lá, chorando e me arrepiando dos pés à cabeça, de tanta emoção. Na hora da largada, ver o ‘cara’ no microfone lendo as faixas das pessoas é muito emocionante também. Em pensar que via tudo pela TV e agora posso estar lá, no meio de milhares de corredores, todos com o mesmo propósito: apenas de completar a prova mais famosa do Brasil”, enfatizou Márcia.

A barbacenense finalizou. “Essa é uma prova que todo corredor deveria ter oportunidade de participar. De todas as corridas que fiz, nada se compara. São Silvestre é e sempre será emoção do início ao fim. Estarei lá de novo todos os anos que puder”.

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