Atleta com microcefalia, Luan Schaeffer é destaque na Maratona Aquática – 12 Horas Nadando

*Reportagem: Priscila Oliveira

Não é de hoje que o Rumo Certo tem o prazer de retratar histórias que, de modo geral, poderiam passar despercebidas no meio esportivo. Porém, ao longo da nossa mais recente cobertura, realizada durante a 10ª Maratona Aquática – 12 Horas Nadando, no último sábado (28), tivemos o prazer de rever um rosto bastante conhecido nas incursões que fazemos pelas rústicas locais. Na verdade, já o havíamos reconhecido na edição passada do desafio na piscina do Sesi Fiemg da Avenida Brasil.

Entre os cerca de 120 participantes, que representaram equipes como Bombeiros, Clube Bom Pastor, Sport Club, Mergulho Academia e Fibratech/Vidativa, o integrante do Tupi/Onda Zu, Luan Schaeffer, teve uma das mais brilhantes e significativas atuações. Isso porque, aos 21 anos, ele supera a deficiência intelectual provocada pela microcefalia com um remédio para lá de eficaz: o esporte. E acumula impressionantes 188 medalhas entre a natação e as corridas de rua, suas modalidades preferidas.

Juiz-forano tem 21 anos e pratica diversas modalidades, entre elas, a natação e as corridas de rua (Foto: Hugo Keyler/arq. Rumo Certo)

Atleta completo

A mãe e porta-voz, Terezinha Maria, não pensou duas vezes quando viu a necessidade de abdicar tudo pelo bem-estar do caçula. É através dela que o paratleta vivencia grandes vitórias no dia a dia. “Como autista,  o Luan colocava as coisas no ouvido e até se machucava na hora de tirar. Sangrava e tudo. Foi aí que o médico pediu para ele fazer caminhada, para ocupar o tempo e se cansar. Ele já fazia natação, capoeira e participa até hoje da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Ele começou a correr e o esporte fez uma diferença muito grande”, revela.

Para a matriarca, uma das principais mudanças no cotidiano do filho está no comportamento. “Quem é autista não olha pra gente, não encara. E agora ele já faz isso. O esporte fez com que ele tenha essa comunicação, de olhar, prestar atenção. Isso o aproximou muito, não só da família, mas das outras pessoas também. Ele tem vários colegas na natação e nas corridas. Participa do JF Paralímpico, joga futebol na SEL (Secretaria de Esporte e Lazer) e faz muita coisa. É um atleta completo”.

Medalha da autoestima

Segundo a treinadora Zuleika Ferraz, do Tupi/Onda Zu, o contato com Luan começou quando ele ainda era criança, num projeto da prefeitura realizado no Esporte Clube Mariano Procópio, o Marianinho. Mas, o reencontro aconteceu em 2014, quando passou a ser responsável pelos treinos de natação do jovem paratleta. “Foi um desafio treinar o Luan, porque não existia muita competição para pessoa especial, então, era muito difícil inclui-lo e ajustar a comunicação com ele. Antes ele não olhava pra gente, era muito tímido, mas depois ele se encontrou. Não tem mais vergonha nem nada. A equipe em si também nos ajudou muito, porque todo mundo é como se fosse uma família”, avalia.

Ele já acumula 188 medalhas – a mais recente, conquistada sábado passado. Pose ao lado da treinadora, Zuleika, e da mãe, Terezinha Maria (Foto: Hugo Keyler/Rumo Certo)

Ela conta com orgulho o avanço do aluno nas piscinas. “Quando vimos, o Luan chegou onde está – ganhando competição. A sensação é de dever cumprido, tanto que ele foi tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso na pós-graduação: ‘Educação Física para pessoas com Deficiência’. Ele viaja para outras cidades, nada em piscina rasa ou funda, e não tem medo. Sabe fazer tudo direitinho e nunca foi desclassificado. É apaixonado por ganhar medalhas. Se falar com ele que tem competição todo dia, ele abre um sorrido e vai. Treina com chuva, com sol forte. Se falar que vai ganhar medalha, pronto, é o que dá autoestima para ele participar”.

Entre as competições que o juiz-forano faz questão de encarar está uma no Espírito Santo, que ele disputa há três anos, e a Maratona Aquática, que ele participou novamente. “Abrimos as portas para todo mundo, independente de sexo, idade ou condição. E o Luan é um modelo para todos nós. Que outras pessoas, que tenham algum problema, necessidade especial ou não, se espelhem e inspirem na capacidade dele. Isso é um grande incentivo. É muito válido. É um ponto que agrega demais à Maratona, porque o nosso objetivo não é competição. Quanto mais gente nadar, melhor”, enfatiza a organizadora Maíta Daibert.

Orgulho de mãe

Decidida a seguir em frente, apoiando o filho em tudo o que for preciso, Terezinha se orgulha com cada feito de Luan. “Lá atrás, quando ele nasceu, eu não imaginava que ele pudesse fazer tudo isso, porque sempre precisei procurar psicólogos, fonoaudiólogos e terapia, porque ele era muito hiperativo – num dos níveis mais altos. Tudo o que eu queria era que ele fizesse parte da sociedade, tanto que ele também foi escoteiro e isso ajudou muito. Acho que não tem limites para ele. O Luan vai vencer todos os desafios”, finaliza.

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* Mais uma vez, o Rumo Certo é mídia oficial de divulgação e cobertura fotográfica deste evento.

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