Com 14 países no currículo, juiz-forano Sidnei Barbosa alcança a marca de 60 maratonas

*Reportagem: Priscila Oliveira ; Fotos: arquivo pessoal

Quando começou a fazer maratonas, em janeiro de 2013, o objetivo principal de Sidnei Barbosa (Tri Runner) era encontrar um desafio a mais, uma vez que os percursos de 21km já não eram novidade. Naquela época, seu pensamento era igual ao de muitos corredores: “experimentar, pelo menos uma vez na vida, uma maratona”. Especialista na modalidade, o juiz-forano, de 49 anos, agora faz contagem regressiva para alcançar uma marca especial: completar, pela sexagésima vez, o trajeto de 42,195km.

“Estreei na Maratona da Disney. Fiz a meia maratona no dia anterior e, como eu queria uma coisa a mais, resolvi estrear nessa maratona. Aos poucos, fui gostando. Mas, aquele click mesmo, de ser multimaratonista, veio dois anos e meio atrás, quando comecei a fazer seis maratonas por ano, e já achava pouco. Ano passado, fiz 20. Esse ano, pretendo fazer pelo menos 19″, calcula.

Juiz-forano se orgulha por já ter percorrido vários lugares do mundo. Sua sexagésima maratona vai ser neste domingo, 25, em Florianópolis (SC). Com isso, serão 2.520km rodados só nesse tipo de prova

Por coincidência, a Maratona Internacional de Floripa (SC), neste domingo, 25, vai ser não só a nona da temporada, mas a sua de número 60. “De modo algum eu esperava chegar nessa quantidade – apesar que, hoje em dia, já penso nisso, porque, com essa faceta de multimaratona, traço objetivos anuais, tipo fazer 10, 15, 20 etc. Ano que vem espero fazer um pouco mais, quem sabe. E planejar, por causa de lesão e preparo, porque isso não é brincadeira”. No mesmo sentido, Sidnei chama atenção para uma questão importante, especialmente nos dias atuais. “Uma coisa que me preocupa muito hoje é essa ‘moda’ de fazer maratona sem preparo. Apesar de ser pesado e fazer muita prova desse tipo, eu tenho preparo – não só mental, como físico e acompanhamento profissional. Não faço maratona simplesmente por fazer, não vou lá e ‘arrisco’. É tudo controlado, porque é perigoso”, enfatiza.

Em abril, já na Europa, ele soube do falecimento da mãe. Sem tempo hábil para retornar ao Brasil, comprou roupas e acessórios pretos e decidiu homenageá-la na Maratona de Londres

Homenagem 

Para ele, entre as lembranças de tantos trajetos, algumas são especiais. “Algumas chegadas são muito emocionantes. Por exemplo, quando um corredor, para quem você passa alguma palavra de incentivo, te agradece, dizendo que não teria conseguido se não fosse aquela força, naquela hora”. Porém, o mais marcante aconteceu recentemente.

“Faço de três a quatro maratonas quando viajo para fora, para aproveitar o gasto. Em abril, fui para fazer Viena (Áustria), Paris (França), Creta (Grécia) e Londres (Inglaterra). Quando viajei, minha mãe estava bem, mas, na Grécia, eu fiquei sabendo que ela já estava internada. Foi uma situação difícil, porque eu estava muito longe. Pensei em voltar, mas me aconselharam a esperar. Então, ela perdeu os sentidos e faleceu em uma semana”, se emociona.

No intervalo entre a perda da mãe, dona Geralda, dia 26, e a Maratona de Londres, dia 28, um turbilhão de sentimentos tomaram conta do atleta. “Durante o velório, sábado, eu fiquei no local da largada, sentado num parque lindo e enorme, pensando nisso. Pela internet, os amigos e a família iam me atualizando das coisas. Então, resolvi comprar roupas, tênis e meias pretos para correr, e não sei como consegui completar. Quis fazer essa homenagem a ela, mas foi bem difícil, porque eu chorava no meio do caminho. Foi a maratona mais difícil que já fiz – tanto que, depois que voltei para Juiz de Fora, fiquei 30 dias sem treinar”.

Cachorros na pista

Prestes a alcançar mais de 2.530km rodados só nesse tipo de prova, Barbosa garante que história para contar não falta. Entre as curiosidades dessa trajetória está o Chile, mais especialmente Viña del Mar. “Passou um trem no meio do percurso e o pessoal teve que parar. Isso me beneficiou, porque eu estava uns 800m atrás. Cheguei perto, esperei uns 30 segundos e liberou a passagem. Consegui me recuperar na prova”, comenta animado.

Com 14 países no currículo, falta o Japão. Medalha em Tóquio vai garantir mandala especial, formada pelas seis principais maratonas do mundo

E os momentos inusitados não param por aí. “No Chile, os cachorros acompanham a gente. Eles correm mesmo – 4km, 5km… Eu sempre soube disso e pude presenciar. Mas, ano passado, em Moscou (Rússia), um cachorro, tipo vira-lata, foi com o dono para fazer a maratona toda. Ele é uma celebridade lá, mas eu ficava preocupado. Só que o dono parava, dava água e comida. Ele chegou 15 minutos na minha frente, correu mais que eu! Fez 3h50min”. Veja foto do cachorro com o dono!

Falta o Japão

A lista de países por onde já correu é extensa. Além de Estados Unidos, Chile, França, Áustria, Grécia, Inglaterra e Rússia, inclui Argentina, Uruguai, Itália, Polônia, Espanha, Turquia e Portugal, sendo 14 ao todo. Ele se orgulha de já ter feito pelo menos quinze maratonas com público acima de 25 mil participantes – algumas com até 50 mil pessoas. “Já fiz todas as Majors, menos Japão. É um circuito especial, formado pelas seis maiores e mais cobiçadas maratonas do mundo: Boston, Londres, Berlim, Chicago, Nova Iorque e Tóquio. Elas são tidas como perfeitas, de alto padrão. No final, quem correr as seis tem direito a uma mandala, uma medalha especial. Faz 3 anos que estou tentando Tóquio, só que é um sorteio com 500 mil pessoas para 5 mil vagas para estrangeiros”, explica sobre a World Marathon Majors. Saiba mais!

Mesmo com essa marca tão expressiva, Sidnei Barbosa só pensa em fazer o que mais gosta, independente de quantidade. “Não tenho uma meta específica, nem penso na centésima, nem nada. Eu gosto é de fazer várias, 3 ou 4 no mês, quando dá. Gosto de fazer maratona, mas o número não é importante. O que importa é correr, e correr bem – não é ‘completar’; é completar e, se possível, num tempo melhor, para sofrer menos. Também não tenho programação para cidade ‘X’ ou ‘Y’. Para mim, todas as provas são especiais”, finaliza convicto.

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *