“Sou muito feliz pelo que o esporte vem me proporcionando”, se emociona Amanda Oliveira após Pan no Canadá

*Reportagem: Priscila Oliveira

Quatro dias que ficarão guardados para sempre na memória da menina que começou a correr numa prova com a escola e, uma década depois, se estabelece entre as principais promessas do atletismo nacional. Aos 22 anos, Amanda Oliveira (CRIA UFJF/ Zaap/ Real Mercês/ Sicoob/ NutriMais) acaba de viver um dos momentos mais especiais que o esporte poderia lhe proporcionar: sair de sua terra natal, o pacato município de Mercês, para representar a seleção brasileira no Canadá, onde disputou os 10km adulto do Campeonato Pan-Americano de Cross Country.

Mercesana competiu entre as melhores do continente na cidade de Langford, província de Colúmbia Britânica (Foto: Carlos Zayas)

A jornada começou quarta-feira passada, 26, e foi encerrada no domingo, 1º, quando retornou ao seu país de origem. No meio do caminho, mais especificamente sábado, 29, ela marcou presença entre as melhores do continente, no circuito formado na cidade de Langford, província de Colúmbia Britânica, para esse que é um desafio de pouca tradição no Brasil. “O percurso foi bem pesado, mas eu gostei muito, pois teve o estilo do cross country de verdade. As meninas dos Estados Unidos e do Canadá competem muito esse tipo de corrida. Aqui no Brasil não tem tanto esse estilo – só tem corrida de cross mesmo duas vezes por ano, que são a Copa Brasil e, se você conseguir se classificar nela, algum outro campeonato”, analisa.

Apesar da concorrência de peso, a mineira não se intimidou diante das estrangeiras. “Isso foi motivo de superação, porque a gente jamais pode desistir. Foi uma prova pesada, tudo podia acontecer durante o percurso, mas eu lutei até o fim. Cheguei lá como terceira colocada [resultado obtido na Copa Brasil] e consegui terminar como a melhor brasileira no trajeto”.

Acreditando ter pouca experiência na modalidade, Amanda cravou 39min35s, ficou em 13º lugar geral e sabe do potencial para ir além. “Acho que me dou muito bem em cross country, mas é preciso uma dedicação maior, porque aqui nós corremos mais em rua e pista. Fiz minha prova, saí no meu ritmo e fui alcançando posições lá na frente. Dei tudo o que podia para representar meu país, mas sinto que, se treinarmos específico para esse tipo de prova, dá para melhorar e muito”, ressalta.

Gratidão e metas

Além da exigência física, a mercesana destaca a dificuldade em lidar com o frio, que chegou a 5ºC no dia da competição. “Foi bem diferente. Tive que aquecer bem. No início da prova, o vento batia, o nariz congestionava e a mão congelava, mas depois fui me acostumando com aquilo”. Porém, ela conta que o que fica mesmo é a gratidão por mais uma oportunidade vivida. “Valeu muito a pena, porque eu nunca tinha conhecido um lugar como aquele. Lá é maravilhoso, gostei muito! Sou muito feliz pelo que o esporte vem me proporcionando – são tantos lugares incríveis, que eu jamais poderia imaginar conhecer se não fosse o atletismo na minha vida. Só tenho a agradecer. Foi demais, foi show”, se emociona.

Aos 22 anos, ela completou os 10km adulto em 39min35s, foi 13ª colocada geral e a melhor brasileira na prova (Foto: Carlos Zayas)

De volta à rotina, a corredora não perde o foco. “Agora, o objetivo maior é o Troféu Brasil, em maio, onde quero tentar melhorar as minhas marcas. Também pretendo fazer algumas meias maratonas e quebrar meu recorde pessoal nos 21km (01h18min), além de continuar treinando bastante, porque o que a gente precisa para melhorar é treinar. Então, vamos seguir em frente, porque o ano ainda está só começando”.

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